Archive for the 'Pessoas' Category

Das pessoas e coisas.

agosto 20, 2008

os segundos, os minutos, as horas, todos passam às dúzias e eu aqui, parado, estagnado no momento em que eu tentei me mover. eu não consigo, não consigo achar a vontade – aquela que todos têm de mudar as coisas, de revolucionar o mundo, de fazer alguma coisa pelos outros ou por si mesmo. há tempos não sinto vontade de mudar nada. conformo-me com as coisas do jeito que elas são. se está ruim está ruim. não se pode mudar o fato de estar ruim, até que fique bom estará ruim. não há meio termos. não há meio bom meio ruim. não há coisas que oscilam entre bondade e maldade assim. só as pessoas fazem isso. e fazem isso de uma forma que, no fim, com um pouco de paciência e matemática, poder-se-ia calcular tudo e dizer se ela era boa ou ruim.

não, não é nada disso. não há bem ou mal.

carros e carros e ônibus e motos passam e buzinam e fazem mais barulho do que deveriam. eles estão lá fora para ajudar quem está lá fora. eles estão lá fora para irritar quem está aqui dentro. mas não são eles quem irritam, não são carros que se buzinam, não é mesmo? o problema de tudo, afinal, sempre foram as pessoas. (isso está certo? sempre foram as pessoas? ou sempre foi as pessoas, concordando com o problema?) as pessoas… tem quem diga que gosta delas, mas elas não conhecem todas, não conhecem o motorista que está buzinando o ônibus, ou o caminhoneiro que passou por cima de todas as galinhas de alguém. a verdade é que ninguém conhece ninguém. por mais que ache que se conheça alguém.

a verdade mesmo é que eu não sei do que estou falando. e não quero saber. tudo o que eu procuro são fugas. fugas de mim mesmo, porque ser cansa. eu lembro do dia em que eu percebi que nunca na minha vida eu seria outra pessoa. eu senti uma imensa tristeza, um vazio enorme. não que ser eu seja ruim, mas é que ser uma pessoa só é limitar demais seus pontos de vista. é limitar demais todos os pensamentos que poderíamos ter. quando penso nisso, nos pensamentos que poderíamos ter, nas impressões que guardaríamos se pudéssemos ser outras pessoas ao longo da vida, mudando de pele, de roupa, de olhos, de órgãos internos e externos, crescendo cabelo, cortando cabelo, perdendo peito, barriga, bunda, ganhando pêlos, perdendo pêlos. vendo pessoas.

a maior forma de se conhecer pessoas não é sendo uma pessoa. é claro que isso colabora, mas, como já foi dito, só seremos uma pessoa pelo resto de nossas vidas, isso limita muito o nosso conhecimento de pessoas. pessoas pessoas pessoas. (porque escrever tantas pessoas num só parágrafo me lembra das minhas aulas de redação e o medo constante de ter uma redação completamente anulada só pelo uso de pessoas, e agora estou aqui, usando pessoas) não, o melhor jeito de conhecer pessoas não é sendo uma pessoa, mas observando várias pessoas.

acho o ser humano o animal mais fantástico de se observar. e tudo isso devido ao dom da consciência. os outros animais são guiados pelo instinto, a vontade de sobreviver. o homem foi amaldiçoado com a razão. e ele se acha especial por causa disso. é interessante assistir à interação social do homo sapiens. para mim, é sempre um programa divertido. mas por mais que observemos, por mais que anotemos seu comportamento, que observemos os padrões que existem e os assemelham aos de quaisquer outros animais, nunca conheceremos o homem.

conhecer o homem vai muito além de simplesmente entender fisiologia e anatomia e psicologia. conhecer o homem vai além de observar seus comportamentos. e vai ainda além de tentar unir tudo isso. claro, o homem não passa de vazio, assim como todo o resto das coisas, mas esse é um vazio intrigante, um vazio cheio de coisas. coisas desconhecidas, coisas inintendíveis, coisas coisas coisas. (coisa também era um dos motivos de eu temer as notas de redação. nunca sabia quantas coisas havia usado e quantas coisas foram cortadas.)

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“detalhes tão pequenos de nós dois…”

maio 18, 2008

porque eu ouço e reouço a mesma música que me faz pensar em como seria tudo aquilo que deveria ser e como seria se tudo aquilo que poderia ser, que deveria ser, acabasse assim do nada. e eu tenho medo dessas coisas de acabar porque tudo acaba e acabar é tão triste. e eu não chego a ter medo da morte. a morte é o fim, eu estou pronto para os fins, mas sempre dói saber que o fim de alguma coisa que você gosta tanto está tão perto… olhar nos olhos de uma pessoa pela última vez e ver que ela está chorando e fechando os olhos para você não vê-la chorando…

eu tenho problemas com a morte. tenho problemas com finais e despedidas. é sempre ruim demais para mim. prefiro não dizer nada, simplesmente seguir em frente. eu não gosto da idéia de dizer um adeus, de saber que amanhã aquela pessoa e eu não nos veremos mais. é difícil explicar tudo isso e eu não vou chegar nem perto de tentar qualquer coisa do tipo, mas quando ela vem para tirar coisas de você…dói mais do que arrancar órgãos sem anestesia. lembrar todo dia daquela pessoa ali dói, mas perceber que nunca mais, nunca mais na sua vida inteira, de agora em diante, você poderá novamente sentir seu cheiro, ouvir sua voz, sentir sua pele…

e eu acabo de lembrar do sinal que havia. aquele sinal no braço. eu não lembrava dele até agora. eu lembro que eu brincava com o sinal, que olhava para ele. lembro do cheiro perto do fim, lembro e não era bom. mas valia a pena por estar ali. e lembro do som que seus passos faziam pela casa, lembro das mudanças que sofremos para nos adaptar lembro de muitas coisas e tudo veio agora por causa da tristeza que o fim causa.

mas eu não estou triste agora, não…eu me sinto feliz por lembrar de tantas coisas. e, mesmo tendo sido vítima do choque da realidade – que é como um carro a 300 por hora batendo de frente num avião a 700 por hora -, eu me sinto bem em saber que eu tenho todas as lembranças.

eu nunca tive futuro. nunca tive o futuro nas minhas mãos, nunca soube como seria amanhã. e eu posso até saber quais são meus planos para amanhã, mas eles nunca serão exatamente como você pensa que serão. os detalhes, sempre eles, fazem tudo e você não tem controle sobre eles. você nunca tem o futuro. nunca tem o presente que passa tão rápidinho. é a velha coisa óbvia de sempre, o agora passa e se torna ontem. eu tenho repetido isso desde que eu percebi isso e isso já faz um bom tempo. a única coisa que eu tenho é meu passado, minhas lembranças. e eu fico triste com isso. fico triste por saber que só tenho elas e que elas me falham às vezes, que me fazem esquecer um timbre, um cheiro, uma cor, um olhar, os detalhes…os detalhes…

porque o que faz a vida de verdade são os detalhes que você não planeja, os detalhes que você não lembra. os malditos detalhes que são vistos depois de muito tempo observando. mas você nunca tem muito tempo para observar a vida. ela passa voando mais rápido do que os olhos possam ver.

e chega por agora. chega por hoje.

Machucar (ou como repetir tudo sem aprender).

abril 5, 2008

claro, claro. isso tudo vive se repetindo. se repetindo. repetindo. as palavras de 3 anos são quase iguais às de agora. os sentimentos são iguais a esses. as pessoas mudam, mas continuam machucando. porque é isso que elas fazem, é tudo o que todos fazem. tudo foi feito para isso: machucar.

e se tem que ser assim. não imagino de outra maneira, porque não há outras maneiras. pessoas machucam, sentir machuca, amar machuca, odiar machuca, ser indiferente machuca (sim, machuca). viver machuca. e é por isso que vivemos, por isso nos arriscamos tanto na vida (ou nem tanto, com medo de machucar ainda mais).

machuca ficar parado esperando o tempo passar para esquecer alguém. mas nem ensinam as pessoas a esquecer. porque é impossível não lembrar quando se quer esquecer. machuca não ter em quem pensar quando conseguimos esquecer alguém. machuca respirar, machuca pensar, machuca viver.

e sentimos o prazer de cutucar a ferida, de machucar o machucado, de nos expor a mais riscos, de tirar a casquinha que está ali pra ajudar. sem perceber, nos machucamos pelo prazer de machucar, nos machucamos por nos machucar, mas sempre nos machucamos.

mas é isso que tudo faz, é tudo o que todos fazem: machucar.

a lei.

março 29, 2008

todo homem tem o direito de entender o que quer entender e fingir que não entendeu aquilo que lhe der vontade de fingir não entender. todo homem tem o direito de simplesmente ignorar fatos para seu próprio bem. todo o homem tem o direito de esconder-se das pessoas quando não lhe convem ficar muito tempo na presença delas, porque há tempos e tempos para pessoas. todo homem tem o direito de ouvir o que quiser e não ouvir o que quiser. ninguém é obrigado a ouvir as notícias mais tristes se não quiser, mesmo que seja de tremenda importância.

“todo homem tem o direito de amar a quem quiser. tomai vossa sede de amor como quiseres e com quem quiseres.” cada um com as suas taras.

masoquistas servirão.

sobre ninguéns e alguéns especiais.

março 27, 2008

estava sentada à direita de livros, à esquerda de livros, atrás de si tinha livros. há livros por toda parte. e ela ama tudo aquilo. ama estar entre todos eles, ouvir o que todos têm a dizer, suas vidas, suas dores, seus sonhos, suas histórias, gostava até mesmo de saber de suas idéias e de seus amores. com tudo aquilo ao seu redor, ela achava que seria capaz de aprender de tudo. aprenderia a amar, a odiar, a ter paciência, a entender as pessoas e a vida. mas ninguém pode tudo isso. ninguém sabe sobre tudo isso.

e ela não gostava das pessoas. se isolava do mundo. vestia roupas que escondiam seu corpo – que não era das gostosas da playboy, mas certamente era desejável -, escondia seu rosto por trás de cabelos ou, pior, escondia os cabelos em latas de lixo. havia mil visuais para ela. e nenhum deles parecia agradá-la. e todos pareciam agradar ninguém. ninguém recebe prazer facilmente. ninguém sempre está lá rindo com ela e não dela. ninguém está sempre pronto para ouví-la e consolá-la. ninguém era seu melhor amigo. e ela achava que ninguém sempre bastaria para si. ela era uma garota de ninguém e ninguém a amaria para sempre do jeito que ela era. além dos livros, ela tinha filmes, músicas, chocolate. tudo o que achava precisar para estar sempre com ninguém.

ela amaria ninguém por toda a eternidade.

até que veio alguém. alguém especial. esse alguém especial entrou na vida dela devagar. como quem não quer nada. mas todo alguém quer alguma coisa.  quer tirar você de ninguém, ou até mesmo de outro alguém e te jogar na vida. dizer: “vai, confia em mim ou você já era. ninguém te amava, mas só alguém especial pode te fazer viver de verdade.” e ele era alguém especial. ela sabia disso desde o começo. mas se negava a enxergar. depois de muito tempo amando ninguém, passa-se a desacreditar na capacidade de os seres humanos falarem a verdade, de serem bons.

esse alguém especial fazia o coração dela bater mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo. da mesma forma que corações de jovens apaixonados podem fazer quando se apaixonam. esse é um dos sintomas da paixão. acompanha sudorese e dispnéia. ela lia muito. aprendeu isso nos livros, nos filmes também. agora via como era na vida. e percebeu que tudo aquilo que havia lido, cada pedaço de vida que havia, podia ser vivido de verdade.

naquele dia ela resolveu viver.

não largou livros, não largou filmes, mas percebeu que deveria falar com alguém especial. começou a amar. começou a sorrir e espalhar amor.

e ela fazia amar, ela fazia amor. e o amor não é como a paixão. é muito mais forte, na verdade. é quase mortal. deve-se tomar cuidado com o amor – esse é um conselho meu, não dela, que deu sorte com o amor. achou logo um alguém especial para ela – que era alguém especial para ele.

o amor crescia. seu amor cresceu dentro dela. cresceu tanto que a inchou e saiu. foi para o mundo, foi viver.

e hoje ela vive de amor. e o amor vive dela.

Um falso fim para um falso começo.

fevereiro 2, 2008

é que eu queria que esse fosse o fim, mas ele não é.

e você sabe o que é. você sabe que vem. que é a única certeza dessa vida. que é o risco que todos corremos por fazermos aquilo que gostamos: respirar, comer, beber, viver. e não há nada que possamos fazer para impedir isso. não há como parar as coisas. seria muito bom se pudesse, mas não podemos. ela é incontrolável, insassiável, implacável. há aqueles que acham tê-la vencido. mas ela sequer se preocupou com tal ser, ainda.
você pode criar campos onde passearemos depois, ou uma imensa frigideira para nos torrar. pode fazer o que você quiser. que hajam luzes brancas, luzes negras, luzes roxas e amarelas, que haja octarina e flicts, nesse lugar inventado para passarmos o tempo, nada disso impedirá as coisas de serem as coisas que são.
é chegado o grande momento, a hora pela qual todos esperam. a hora final do último salivar, e a doce e lenta última respiração.
não pense que é ruim ir embora. você passou boa parte da existência sem existir. você teve a chance de marcar o mundo com suas idéias, de escrever livros e plantar árvoes, perpetuar os genes. talvez você possa ter seus filhos, seus netos, até mesmo bisnetos. você pode ver como tudo o que aconteceu ali nunca teria acontecido do jeito que foi se não fosse por você. perceba o quão fantástico é tudo isso e o quanto você é abençoado pelo simples fato de poder estar aqui.
não, não é para se entristecer.
no fim da vida, vá embora com um sorriso no rosto para mostrar que sua vida realmente valeu a pena.
deixamos aqui a vida para seguir, porque nossa missão está cumprida.

A Felicidade

janeiro 22, 2008

Ao longo de um ano, fui escrevendo sobre um a felicidade. Queria escrever um livro sobre a felicidade, mas depois que se vê que felicidade é difícil de se explicar, acabamos nos consolando com o pouco que fizemos.

A felicidade não é definitiva. não há, infelizmente, uma fórmula que gere felicidade instantânea. então, esse texto, por falar de felicidade, não é definitivo, mas extremamente mutável. e é graças à mutabilidade da felicidade que há tanta beleza no mundo, por mais difícil que às vezes possa parecer…
trabalhemos o texto como se felicidade fosse o que faz os momentos felizes, sua essência e nada mais.
é incrível como a felicidade é para todos. ela não é clandestina como muitos afirmam por aí. todos têm um cantinho de felicidade. um sorriso se faz num canto de lábio, os olhos, emoldurados por pequenas rugas, brilham tanto quanto o sol.
você vê que qualquer um, por mais rico, pobre, magro ou gordo que seja…todo mundo sorri de felicidade, que não é clandestina, mas que definitivamente não é permanente. a felicidade é passageira, a alegria é passageira. ninguém consegue ser alegre o tempo inteiro. não é só o wander wildner que sente tal dificuldade, é o mundo, um sentimento global. como o medo. por que buscar a felicidade? porque ela proporciona prazer. e o prazer move a vida. e quando não é o prazer, é a dor, que é sua única amiga, que nunca te abandona, que move as engrenagens da vida.
e você sabe que a felicidade não está só nos olhos do povo, está naquele seentimento que às vezes dá e que você não sabe ao certo que nome dar a ele porque é estranho demais e você sabe que tudo é tão incrivelmente mundial que você dá um sorriso com um canto do lábio e pensa em como é incrível a diversidade de vida. pensa em como é maravilhosamente estranho o fato de você ser único e você nunca ter parado para pensar sobre todo esse lance de cada um ter sua vida. e então você percebe que sua vida é incrivelmente minúscula e insignificante e que você deve ter um sentimento de coletividade. mas você não faz nada. apenas tentar ser imortal como todos os outros homens. tenta deixar um filho, um filme, um livro, uma árvore, uma idéia…idéias são à prova de balas, anti-oxidantes e, se bem construídas, é impossível para o tempo derrubá-las.
e o que todo mundo quer é dar aquele sorriso. e não ligar para os problemas. mas ninguém consegue tudo isso. exerce uma capacidade psicolígca que poucos possuem. e uma enorme falta de senso de responsábilidade. é exatamente disso que o mundo precisa, uma enorme falta de senso. mas há falta de senso e falta de senso. uma falta de senso de responsabilidade responsável, comedida, é um caminho para o começar a não ligar para os problemas e, por conseguinte, dar aquele sorriso que esperou anos para aparecer novamente nos seus lábios, pintando seu rosto com a claridade bela da felicidade, e talvez esse sorriso jamais tenha aparecido na sua vida e nunca tenha feito você perceber que sua vida não valia a pena até aquele momento. então agora você eprcebe, depois de ter dado o sorriso da sua vida, uma gargalhada que ecoa na sua mente e no seu corpo, que sua vida será uma merda se você não sorrir assim todo o santo dia. e você sabe que não sorrirá assim todo o santo dia porque a vida não dá motivos para isso. então, notar-se-á um grande vazio em seu interior. algo que jamais será preenchido por completo, algo que você deverá guardar para si, porque não é problema de mais ninguém.
a felicidade é como um orgasmo. uma hora vem, mas nunca dura o tempo que você espera.
a felicidade também está no sorriso de quem você mais ama, mas nele pode estar também a maior tristeza do mundo. está no sorriso da pessoa amada uma arma mortal.que pode te levar ao céu ou ao inferno.
a felicidade está nos pequenos detalhes, no entrelaço do dedos das mãos dadas, no calor que você sente vindo da palma dessa mesma mão. e você olha o dono ou a dona dela bem fundo nos olhos e talvez ela desvie o olhar, mas você sabe que, mesmo não sendo necessariament namorados ou amantes nem nada do tipo, há entre vocês algo que liga, gruda os dois. e a felicidade é pensar que isso tudo durará para sempre, ou ao menos tempo o suficiente para parecer para sempre. mas nunca vai parecer.
a felicidade está no piquenique no parque, a toalha estendida sobre a grama, uma bebida qualquer sobre o pano, sanduíches, crianças fazendo barulho ao redor e a percepção de que só há os dois no mundo.
a fé é uma forma de felicidade. de crer que mesmo depois da morte haverá uma salvação para sua alma…a felicidade é um momento de esperança.
há quem chame toda essa felicidade de alegria, talvez eu esteja realmente errado ao chamar tudo isso de felicidade, mas como e odair josé disse que a felicidade não existe, que o que realmente há são momentos felizes.o máximo que você pode fazer é aceitar essa premissa, que é mais verdadeira do que você pode achar, e chamar sua alegria de felicidade.
a felicidade pode trazer a imensa dor. sim, um dia ela, como tudo o mais no mundo, acaba.
a felicidade, muitas vezes depende mais de terceiros do que de você mesmo, mas há quem diga que a felicidade só depende de você. se isso fosse verdade, o segredo da felicidade seria o isolamento e a masturbação .
e a felicidade é para mim, algo totalmente meu e para você algo unicamente seu, independentes uma da outra. não venha atrapalhar a minha felicidade com a sua.
e eu não sei mais como definir essa coisa chamada felicidade. seria muito bom sentí-la todo o tempo e mesmo assim todo tempo não seria tempo o bastante para se sentir felicidade. a vida ainda pareceria triste.
a felicidade é uma arma recém usada cujo tiro esquentou o cano. e é através dele que você sabe se está feliz ou não.
felicidade está naquele solo de guitarra que te comove, na emoção que você sente a cada nota, está no dançar coladinho ou pensar em alguém e dizer: “queria que ela ouvisse isso”. felicidade é pensar em como seria bom e feliz se aquela pessoa pensasse como você está pensando, ou ao menos pensasse em você, lembrasse de você o tanto quanto você lembra dela. felicidade é crer em tudo isso sem saber que tudo não passa de uma ilusão. felicidade é acreditar no papai noel mesmo sabendo que ele não existe. felicidade é rezar toda a noite tendo esperança de que vai adiantar de algo sua reza ou a ausência dela. é você escrever uma carta que não diz nada importante e enviar para algum amigo e ele elogiar sua carta pela sua simplicidade e agradecer por lembrar-se dele. é receber cartas de amigos que nunca nos viram, é ler cada uma de suas palavras e imaginá-los escrevendo, a situação em que se encontravam…felicidade são as coisas mais simples da vida.
felicidade é matar a fome quando se sente fome. matar a sede quando se sente sede. matar a saudade quando se sente saudade.
felicidade é matar sempre aquilo que se quer matar, saciar seus desejos, para poder desejar sempre mais.
felicidade está em erguer copos e brindar pela liberdade.
felicidade é olhar seus olhos, sentir o mundo escapar dos seus pés e deixar-se levar pela maravilhosa sensação de estar por perto.
felicidade é ter a mulher dos sonhos.(felicidade é ter sua musa) é ter a paz que ela te dá. só ela.
felicidade é chegar em casa depois de tempos longe dela. é conhecer o transito do local onde está. é saber que ônibus pegar para ir onde você quer.
felicidade é ser independente.
felicidade é sair de casa com o sol no céu, não fazendo calor nem frio, não queimando, não chovendo, é ir para o ponto de ônibus e não esperar, é ler um livro bom, é ouvir uma boa música, é estar com pessoas legais e leais.
felicidade é o sorriso amigo e o abraço, é o aperto de mão, é a gargalhada compartilhada. a felicidade, na verdade é descobrir novos amigos e redescobrir velhos amigos. felicidade é o olho puxado que cria uns pezinhos de galinha no canto…felicidade é uma piada qua por mais sem graça que seja é engraçada apenas pelo fato de ela ter sido dita pelo seu amigo. amizade é felicidade, em uma de suas muitas formas.
felicidade é ouvir a voz da mulher que você ama dizendo bom dia no seu ouvido.
felicidade é poder evitar quem se quer evitar e viver bem com isso.
felicidade é o sentimento do mundo. sentir o mundo como se você fosse ele todo e não parte dele. saber que quem está no banco ao seu lado no ônibus pensa e quer felicidade para ele tanto quanto você. felicidade é não estar só no mundo, mesmo estando.
felicidade é a gota de orvalho que vinícius falou.
felicidade é uma colcha de retalhos feita de todas as lembranças boas que vêm à sua cabeça.
felicidade é lembrar-se.
felicidade é esquecer.
felicidade é o oi que ela me dá.
felicidade é a saudade que dá quando se sente saudade de alguém depois de 30 minutos.
felicidade é ela sorrir para mim aquele sorriso confidente. aquele sorriso que faz os olhos dela sumirem, que faz todos os dentes aparecerem, não é lindo esteticamente falando, mas faz um bem enorme à psique. ela sorrir, gargalhar com você, com algo que você fez para ela rir e ela riu.
felicidade é ela saber o que me faz feliz e fazer para me deixar feliz.
felicidade é ela dizer olá do nada só para a gente poder conversar.
felicidade é fazer quem você ama feliz.
e eu não consigo dizer mais nada sobre a felicidade porque felicidade não se diz, se sente. e eu vou tentar sentir minha felicidade, mesmo que seja por pouco tempo, mesmo que seja quase nenhuma, mesmo que minha felicidade dependa da de outro, quero minha felicidade, quero sorrir e fazer sorrir, quero amar e ser amado, quero viajar para todos os lugares que tenho vontade de viajar sem me preocupar com nada. quero ser feliz e só.
felicidade, no fim de tudo, é felicidade. e isso basta para ela e para nós.
a felicidade é o presente mais bonito que alguém pode dar a outro.
felicidade é tudo isso e muito mais.

Amarelo

janeiro 16, 2008

era uma vez um lugar. e nesse lugar havia pessoas verdes. mas elas não eram verdes porque suas células tinham cloroplasto. não não, nada disso. elas eram verdes porque eu queria que elas fossem verdes.
e nesse lugar onde as pessoas eram verdes, havia um jovem que não era verde. ele era amarelo. mas não porque havia comido barro para ser um menino amarelo. ele era amarelo também porque eu queria, mas acima de tudo, porque essa estória precisa de alguém para se destacar. e, sendo amarelo entre as pessoas verdes, destaca-se bastante porque elas não eram verde como ervilhas recessivas ou ele era amarelo como ervilhas dominante dos livros de biologia. não não, nada disso. eles eram verdes como o verde mais claro da caixa de lápis de cor, o verde homogêneo e claro do paint, e ele era amarelo como o lápis amarelo com que se pinta os sóis nos desenhos das crianças do pré escolar, amarelo como os smiles de msn.
esse jovem, a quem vamos chamar de…de…bem…de que quisermos chamá-lo, era apaixonado. porque toda história que eu consigo imaginar no momento envolve alguma espécie de interação, relacionamento entre seres xx e xy.
e ele era apaixonado pela moça verde mais linda de todo o lugar de pessoas verdes. e ela era de um verde extremamente lindo. não chegava a ser diferente do verde dos outros cidadãos, mas ela se destacava. quando o sol batia em sua pele verde, verdeirizava sua face verde, tornando-a extremamente bela e verde. para ele, ela era mais bela do que a bela da cidade, que era de um verde um pouco mais apagado que a moça por quem amarelo era apaixonado.
e a moça verde não tinha olhos para o pobre menino amarelo. porque havia um enorme preconceito com pessoas amarelas naquele lugar. e como o menino era o único ser amarelo da região, ele era excluído, evitado como se fosse um monstro. seus pais eram mal tratados por toda a cidade por terem dado a luz a um ser tão bizarro, um menino amarelo.
mas amarelo era um jovem esforçado, inteligente, e de um amarelo que faria muito smile ruborizado ficar ainda mais ruborizado por não ser de um amarelo tão saudável quanto o dele.
amarelo sonhava em ser o que sempre quis ser, fosse lá o que isso fosse. sonhava com isso e com a moça por quem era apaixonado. e como todos sabem, se há coisas que são capazes de impulsionar um homem e fazê-lo saltar da cadeira da qual não levanta há semanas, essas coisas são mulher e sonhos. mulher e sonhos são os motores do homem. o homem que não sonha, não vive. o homem que não coloca em seus sonhos a mulher que mais deseja, não vive. não sonha, não tem objetivos na vida, não tem metas. e metas eram tudo o que nosso querido amigo amarelo tinha. sua meta era conquistar a garota por quem era apaixonado. ele não sabia como, ele não sabia quando, mas sabia que iria tentar.
e o menino amarelo tentou, tentou, tentou, tentou tanto que um dia morreu de tanto tentar. e nunca mais nasceu um outro menino amarelo no lugar de pessoas verdes.

As pessoas III

janeiro 13, 2008

não sei o que dá nas pessoas, mas elas acham que realmente são importantes. pensam que só porque suas atitudes são planejadas por eles mesmos, modificam algo e não fazem com que tudo aja de acordo com o que tudo deve agir. acham que há diferença entre o comportamento deles e de macacos na floresta. acham que o universo se importa com a existência deles e crê que há alguém lá fora pronto para ajudar quando você estiver mais fodido que puta de esquina. acham que as coisas ao redor devem conspirar para seu bem se assim desejarem… é engraçado que as pessoas falem nisso tudo e ainda digam que tem baixa auto estima.

Troca de piadas.

maio 9, 2007

então você se acha um cara legal, descolado, inteligente e engraçado não é mesmo? acha que tem todos os estilos e todas as tiradinhas engraçadas. se acha o verdadeiro comediante para alegrar as festas de crianças e qualquer descerebrado. mas encare a verdade, você não é um cara engraçado, sua felicidade é só um escudo para a sua tristeza, seus sonhos são mentiras mal contadas. olhar para você me dá nojo. não que eu esteja desprezando você. não, jamais faria tal coisa. estou sendo apenas realista.
ah, mas você sabe contar piadas? é mesmo? e o povo gosta das suas piadas? que bom! você sabe contar piadas de portugueses e loiras burras, sabe contar sobre bichinhas taradas e até sabe contar piadas de humor negro sobre ceguinhas, bebês natimortos e crianças africanas. sim, boas piadas. eu também sei contar piadas. quer ouvir uma? ok. aí vai.
um menino, jovem, de seus 11 anos, uma vez estava com seus colegas jogando bola. o futebol das crianças. depois do joguinho bateu aquela fome, sabe? então eles resolveram que iriam pular o muro do vizinho para pegar algumas mangas e matar a fome. o vizinho sempre foi um cara gente fina, sempre deixava eles pegarem frutas e essa coisa toda. as crianças foram. 5. pularam o muro e subiram a mangueira frondosa. o vizinho apareceu, cumprimentou as crianças. depois de algum tempo elas desceram. todas as 5. subiram o muro para voltar para casa (não queriam dar trabalho ao vizinho, mas ele insistia, tanto que havia se levantado para abrir o portão) quando o vizinho ataca uma das crianças com uma foice. atacou primeiro suas pernas, depois o pescoço e depois a cabeça. deixando exposto o encéfalo da criança. a criança urrava como um porco sendo abatido. a cada golpe ela gritava mais e mais e mais. e o vizinho sorria e a cada golpe seu sorriso se alargava, mostrando seus dentes amarelos. depois, ainda ensopado de sangue da criança, sentou-se calmamente na cadeira de balanço de onde observou as crianças na árvore e fez para si um cigarro, acendeu um fósforo e fumou.
é uma boa piada.
você não vê a graça?
ora, onde está o seu senso de humor?