Archive for the 'Heartbreakers' Category

Notinha sobre a estranheza dos ciclos do tempo.

dezembro 11, 2008

hoje eu percebi como antes as coisas eram…estranhas. eu vivia reclamando do amor por ter um coração quebrado sempre pela mesma garota e mal consertado por outras. mas agora…agora eu reclamo do coração quebrado que eu tive e que está tão bem consertado que, quando quebrar, se quebrar, vai parecer nunca ter sido quebrado antes.

o pesadelo desta noite.

junho 25, 2008

eu estava aí, com você, do teu lado. eu mal podia acreditar nisso, finalmente eu poderia tocar você, cheirar você, beijar você. mas você não deixou porque…bem…porque você ainda ia escolher entre mim e ele. ele! ele que era para você odiar e que você mantinha sempre perto! ele que havia escolhido te maltratar e não dar o amor certo para você que só merece o amor mais certo do mundo, o amor que eu tenho para te dar. e você…você ainda tinha dúvidas. eu senti, no meio do meu peito, um imenso vazio tomar conta e…não se sabe ao certo como é ter um imenso vazio dentro de si até você ver o que eu vi. até toda a esperança ser jogada longe de você com um sorriso lindo, um simples gesto, e a tensão, o medo do que iria acontecer.

e você até que estava fazendo a coisa certa, eu nunca quis que tudo terminasse como terminou para vocês, você sabe disso e…bem…para mim, terminou para o melhor porque agora eu tinha a idéia de que tinha você. mas acho que errei. acho que errei ao pensar que eu era o cara certo. essas coisas todas…depois que eu vi…depois que eu vi, senti…depois que tudo aconteceu eu…eu…

bem… não há palavras para dizer, não há maneiras para descrever.

e eu acordo assustado no meio da noite.

por favor, não faça isso comigo.

O pôr do sol.

junho 10, 2008

encostado em uma árvore, braços cruzados, observava as crianças brincando e cantando. até que ela chegou. subia com dificuldade a ladeira. ela, linda como sempre, agora não trajava mais as roupas que ele lembrava. nada de saia estampada, camiseta branca e sandália rasteira. não. provavelmente isso fazia parte dela com ele e ela já não era daquele jeito havia um tempo. ela havia escolhido não ser. vestia negro: vestido e salto alto, que vez ou outra ficava preso entre pedras.
até que ela chegou à sua frente e ele sorriu. sorriu aquele sorriso que ele sabia que teria que vir. descruzou os braços. ele havia pensado demais em tudo aquilo. havia calculado minimamente cada passo, pensado e repensado em tudo, absolutamente tudo. e o sorriso e as palavras de boa vinda estavam ali para fazer tudo dar certo.
“minha querida raquel”
ela o encarou. séria. olhos nos olhos. o verde dos olhos dela faziam com que sua boca ficasse molhada, ansiava por aquilo. era agora, era agora.
ela reclamou de alguma coisa. ela sempre reclamava de alguma coisa. “você não está fazendo certo” “você não chegou na hora certa” “você parece uma criança” “você não é bom para mim” “você só me faz perder a paciência”. ela era especialista em reclamar.
“Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima.”
abriu o sorriso. o sorriso fazia parte daquilo tudo. o sorriso era a arma fatal. ele comentou sobre a roupa que ela vestia. falou de como quando eles estavam juntos ela não se vestia tão elegante, ela não parecia se importar com todas essas futilidades e superficialidades. mas o que ele não percebeu é que todas elas dão valor a essas coisas.
e ela reclamou. mas, antes de ela terminar suas reclamações, a tomou um braço rindo. disse seu nome com um ar de: “ok, meu bem, ok.” disse a ela como ela estava linda. disse como ela não havia mudado, como ela agora tinha novos trejeitos que só exaltavam ainda mais sua beleza, disse que sentia falta do perfume dela. era hora se ser sincero, ele sabia que naquele jogo havia hora de mentiras e horas de verdades e que um bom jogador sabe a hora exata de contar a coisa certa. ele havia estudado por dias, semanas, meses até! ele poderia dar aulas de tudo aquilo. e em cada aula ele enfatizaria o uso de um artifício que serve para conquistar a confiança e deixar qualquer escudo mais fácil de se penetrar: o sorriso.
então, para variar, ela reclamou. mas, antes, acendeu um cigarro.
ele explicou a ela sobre o lugar, sobre como ali os vivos e os mortos todos desertaram, de como não havia ali nem mesmo um fantasma para contar a história do lugar. apontou para as crianças e falou de como elas brincavam entre cinzas sem saber que um dia homens e mulheres estiveram enterrados ali, onde seus belos pezinhos tocavam e se sujavam. falou que queria que ela visse uma coisa. uma última coisa, uma coisa linda. o pôr do sol.
e, antes de ela reclamar, soprou fumaça de seu cigarrinho no rosto dele. então ela sorriu e reclamou. reclamou do cemitério, reclamou dos planos, reclamou do pôr do sol, reclamou dele, reclamou do que ele fez ela passar para, no fim, fazer algo tão idiota quanto ver o pôr do sol. porque, para ela, ver uma das mais belas cenas que um homem pode ver, nada mais é do que pura idiotice.
e ele explicou, pacientemente – porque paciência faz parte do plano. ele previra cada reação dela. ele a conhecia como à palma da sua mão -, que o dali era o mais lindo do mundo, que ela nunca esqueceria, que ele estava sem dinheiro, que o lugar onde morava não era propício devido a uma velha chata e inconveniente.
e ela reclamou e disse que poderiam ter ido a um bar, bebido alguma coisa na conta dela. mas ele se recusou porque seria pago com o dinheiro dele. ele sabia que ela não trabalhava. não trabalhara um dia no ano em que os dois passaram juntos, não trabalharia agora que estava com um homem de posses.
e mais uma vez ela reclamou. e explicou que corria um risco enorme de estar ali, que seu novo homem era ciumentíssimo, que ele podia ter olhos em todo lugar, falou e falou e falou. mas ele não ouvia nada. já sabia de tudo aquilo.
então ele explicou que ele havia escolhido aquele lugar exatamente por ser ali um lugar que ninguém os veria, perfeito para aquilo que ele queria com ela, perfeito para o pôr do sol, perfeito para os dois. e ele explicava tudo isso carinhosamente, pacientemente, como se fosse para uma criança, para sua filhinha, como se ele tivesse a experiência de uma vida inteira enquanto ela estava no alto de seus poucos vinte e poucos anos. ele abriu o portão que os levaria até onde ele queria, se afastando para dar passagem para ela.
e ela, toda cheia de reclamações, falou que ia vir um enterro, e que ela não suportava enterros. mas, logo, ele explicou que não havia ninguém ali para ser enterrado, que o cemitério não recebia novos corpos há séculos e séculos.
ele deu o braço para ela, ela segurou e, juntos, seguiram por entre o mato que cobria tudo.
passaram por um anjo decepado e ela fez alguma reclamação. mas ele nem ouviu. beijou-lhe a mão.
“você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.”
e ela reclamou. falou que fez mal, que não quer arriscar a viagem ao oriente que seu homem lhe prometeu. perguntou a ele se já ouvira falar do oriente. “que tipo de ser bizarro nunca escutou falar do oriente?” ele pensou. mas logo abriu um sorriso.
“eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?”
ela encostou a cabeça em seu ombro e o chamou de tantã, como se não conseguisse entender que, para ele, o passeio de barco o marcou porque foi o dia em que ele percebeu que ela era Ela. o dia em que ele resolveu viver e respirar por ela. o dia em que ele percebeu o verdadeiro significado da palavra amor. e ele agora, ali, com a cabeça dela em seu ombro, ouvia suas reclamações. reclamava do ano que passaram juntos, do único ano da vida inteira dele que ele achou que valeu a pena. ela, agora, ria do passado, zombava da única coisa que lhe restava. ele sabia que aquilo deveria ser feito. sabia muito bem. desde o momento em que ela ligou para ele chamando-o para vê-la, desde quando ele a viu sentada naquela mesa, naquele café, com aquele olhar de…aquele olhar de…ele não sabia dizer que tipo de olhar era aquele, mas, certamente era o pior tipo de olhar que poderia existir. era o pior olhar que ela poderia ter-lhe dado. as piores palavras, as que mais doem, as palavras de despedida. dizendo que não dava mais, dizendo que não agüentava mais, que achou alguém que a amaria de verdade (como se ela soubesse o que é amor. a única coisa que ela ama é o dinheiro). e ela disse tudo aquilo enquanto tomava calmamente um café. e o café deveria ter esfriado depois daquelas palavras, o mundo congelou depois daquilo. e, desde então, ele só tem pensado nisso. na hora certa de se fazer isso. procurou lugares, um atrás do outro, visitou-os todos, até que encontrou o cemitério. até que decidiu que ali era o lugar perfeito para tudo aquilo.
ele sorriu. sorriu porque tinha que sorrir, mas por dentro não havia nada sorrindo. por dentro ele queimava, estava destruído, começava a pensar se não teria sido melhor algo simples, algo que não precisasse do contato direto com ela, mas logo recobrou-se. “não, não” pensou “tem que ser assim. uma última conversa, uma última tarde juntos”.
“é que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. e agora? que romance você está lendo agora. hem?”
era uma fuga, um jeito de fazê-la não partir mais seu coração. ela respondeu que não estava lendo nada, no momento. parou, leu um epitáfio quase apagado em uma laje despedaçada e reclamou.
ele apontou para uma laje. disse que o musgo a cobriria, depois raízes, depois folhas. disse que essa era a morte perfeita. a morte de verdade, o total esquecimento. ela, ainda descançando a cabeça em seu ombro, aconxegou-se mais. bocejou e, antes mesmo de terminar o bocejo, pôs-se a reclamar.
ele pediu para ela se acalmar, que faltava pouco até o fim, que logo logo ele estariam no ponto perfeito.
e ela reclamou.
ele explicou de como havia andado por ali tanto tempo atrás, com sua prima, sua querida priminha que não era bonita mas tinha os olhos mais vivos que o mundo poderia ter visto. e os olhos vivos o amaram. foram os únicos olhos que o amaram. e falou de como a única mulher que o amou morreu, de como todas as mulheres que o amaram morreram. ela tirou o cigarro que ele fumava da boca dele e o tragou profundamente. soltou a fumaça e junto dela algumas palavras.
“eu gostei de você, Ricardo.”
“e eu te amei. e te amo ainda. percebe agora a diferença?”

e fez-se o silêncio. aquele tipo de silêncio que dura poucos segundos, mas para os dois, que se vêem, olhos nos olhos, dura uma eternidade. aqueles segundos em que tudo o que se quer fazer é pensar algo para dizer, mas nada vem, nada é certo, apropriado para quebrar o silêncio. o tipo de silêncio que um som, qualquer que seja, é tido como um imenso barulho incômodo. o tipo de silêncio que se sabe que só deve ser quebrado por algo do meio – um pássaro rompeu de uma árvore – estava feito.
ela reclamou que estava frio.
pararam diante de uma capela alta, coberta por uma trepadeira, abriu as portas de par em par. entrou no que disse ser a casa de seus mortos.
ela falou que era triste aquilo ali, perguntou há quanto tempo ele não ia ali. ele se desculpou por não estar tudo limpo do jeito que ela gostaria, mas era justamente por aquele local ser do jeito que era que ele gostava dali, por ser exatamente do jeito que era é que ele escolheu aquele lugar para que se tomasse cena o que estava por vir. avançaram ainda mais para dentro, para onde estavam as gavetas, passaram pelas portinhas e ele avançou até uma gaveta e fez como se fosse puxá-la. ela perguntou se as gavetas todas estavam cheias. ele sorriu. sorriu porque viu nela medo. explicou que as únicas cheias eram as que tinham foto e nome.
ela pediu para ir embora, mas ele avançou até um paredão, tirou uma caixa de fósforo do bolso de trás da calça e acendeu.
“a priminha Maria Emília. lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. foi umas duas semanas antes de morrer… prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? estou bonita? não, não é que fosse bonita, mas os olhos…venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.”
ela foi até perto para observar, cuidadosamente, para não esbarrar em nada. ela reclamou do frio.
ele acendeu um fósforo e entregou para ela, para que ela enxergasse, para que lesse o nome de sua querida priminha.
enquanto ela procurava ler o nome quase apagado na parede, ele ia saindo de perto dela. observou-a de longe até o momento em que ela viu que a data não batia. que ele não poderia tê-la conhecido. trancou uma das portas de ferro. ela foi até ele chamando-o de mentiroso, falando que aquela brincadeira não tinha graça nenhuma.
ele sorria. sorria porque finalmente via seu plano em prática. porque era agora que faria com que ela sofresse um pouco. um pouco, nunca chegaria aos pés do que ela fez para ele, mas, ainda assim, ele sabia que aquilo tudo valia a pena, que ele se sentiria completo depois de feito.
ela reclamou, subindo até onde ele estava parado, dizendo que aquilo não tinha graça. ele esperou até que ela chegasse bem perto, quase tocando o trinco de ferro para dar as voltas na tranca. deu um salto para trás, para afastar-se do alcance da ira dela e ainda assim poder olhá-la nos olhos, saborear sua angústia, sentir seu desespero.
“uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. você terá o pôr do sol mais belo do mundo.”
ela balançava e balançava a porta de ferro que permanecia entre os dois, separando-os.
ela olhou para a tranca, tentando arrombá-la. era nova. ele havia posto essa nova tranca havia pouco tempo, assim que decidiu que ali seria o lugar. era forte – gastou um bom dinheiro com ela, afinal, há certas coisas nessa vida que se deve gastar por – ela não conseguiria arrombá-la nunca.
era hora de parar com os sorrisos, era hora de parar de jogos. era a hora da verdade.
“boa noite, Raquel.”
ela gritou. falou que ele iria pagar por aquilo. mandou que lhe entregasse a chave que ele rodava entre os dedos. ela berrava, ordenava, pedia, implorava até a beira do choro. era isso que ele queria. era para isso que ele ficara ali, para vê-la se tornar nada, para destruí-la e sentir o prazer por isso. porque ela o destruiu e ele nunca mais conseguiria se construir da mesma forma que era. ela matou algo dentro dele. e agora ele mata tudo que havia dela. parou de girar a chave, guardou-a no bolço da calça e foi fazendo o caminho de volta. por um tempo, tudo o que se ouviu foram seus passos movendo pedrinhas no chão, amassando folhas. até que um grito desumano fez-se ouvir acima de tudo.
por um tempo os gritos continuaram audíveis, mas, a cada passo dado se tornava mais distante, até que chegaria o ponto em que ninguém mais ouviria os gritos. e era por isso que ali era o lugar escolhido, o lugar perfeito. era por não haver ninguém que se aproximasse tanto daquele lugar, nem as crianças que brincavam de ciranda, nem curiosos procurando lugares para explorar. nem ele mesmo sabia como descobriu aquele lugar. pura sorte.
acendeu um cigarro. fez o caminho até a entrada do cemitério com um sorriso bobo no rosto que lhe esticava os lábios sobre os dentes e lhe puxava os olhos, reduzindo-os a dois pontinhos brilhantes. olhou para o sol descendo no horizonte, soltou a fumaça quente. trancou o portão do cemitério sentindo algo que pensou não ser capaz de sentir novamente: uma imensa paz de espírito.

Obs.: As partes em itálico, assim como as personagens e a situação em que se encontram, foram extraídas do conto “Venha Ver o Pôr do Sol”, de Lygia Fagundes Telles. Aí você me fala: “mas…paraí…personagens, situação…até mesmo trechos copiados e colados! Ora, mas que ladrãozinho!”. Quero deixar claro que a idéia do conto não é plagiar o texto da autora, mas fazê-lo do ponto de vista de um narrador que sabe o que se passa na cabeça do personagem que planejou a ida ao cemitério. Se você ler o conto original e depois ler o meu, você verá que “é igual, mas diferente.”

sobre as não vontades e A Vontade.

maio 9, 2008

havia aqui um texto sobre um homem que vivia no presente, sabia do futuro e lembrava coisas esparsas do passado. falava de como é odiável viver o presente tendo apenas o passado na mão e uma esperança de um futuro. falava de como esse homem tinha sido condenado a ter o dom de conhecer seu futuro e poder construir seu passado vivendo seu presente. e falaria de como essa é a forma mais justa e saudável para se viver.

mas eu não tinha bons argumentos para segurar essa teoria. eu estava sem vontade de segurar esse argumento. de pregá-lo à parede como um quadro bonito. estou sem vontades. sem vontade de existir, sem vontade de levantar da cama, dizer bom dia, tomar banho, escovar os dentes, viver…estou sem vontade de pegar um ônibus ou de esperar por esse ônibus. estou sem vontade de dizer que o passado é tudo o que temos e que devemos aproveitar o agora porque o amanhã é tão incerto. e estou sem vontades de dizer que por ela eu esperarei o amanhã porque espero que o nosso amanhã nos reserve boas coisas. estou sem vontades de receber o vento no rosto e sem vontade de enxugar o rosto porque estou suando. estou sem vontade de me manter acordado e sem vontade de dormir. estou sem vontade de ler, sem vontade de aprender, sem vontade de viver. sem vontade, sem vontade.

eu só tenho uma vontade. a vontade dela. e esse texto nem era para ser sobre ela. mas ela surge e é o que há.

antes de ir para a fossa.

maio 4, 2008

“antes de ir, por favor, faça uma xícara de café.”

ela ouve aquele pedido, o último pedido dele, e sente um enorme prazer em não realizá-lo. pisa firme e vai para longe sem dizer uma única palavra, sem olhar para trás e sem ter pena. porque ele não merecia a pena dela.

“…é… eu vi isso vindo…”

e ele nunca mais tomou um café tão delicioso quanto o dela. e ele nunca mais provou lábios doces como o dela. e nenhum outro carinho que recebeu na vida foi como o dela.

sentou-se na poltrona reclinável, ligou a televisão e morreu naquele domingo.

super

abril 17, 2008

ela beija você. onde? não importa. na verdade, não precisa nem ser um beijo. pode ser um abraço, um aperto de mão, um sorriso, um olhar. e você sabe que aquilo não é bom. você sente que quando ela abrir a boca será para começar algo bom que vai te destruir. porque elas são especialistas em coisas boas que te destroem. ela respira fundo, pega nas tuas mãos, olha fundo nos olhos – tudo isso depois da aproximação inicial. do beijo, abraço, aperto de mão… – porque o contato visual é importante, mostra a força. mostra que ela veio confiante com tudo aquilo e que não vai sair dali sem deixar claro que ela é quem manda. que ela pode e vai te destruir, mas que ela não faz por mal, faz apenas porque é necessário.”
então ela começa com algo do tipo: “você é uma pessoa excelente” ou “eu te amo” que precede o mas seco e bruto que virá. então ela prossegue: “mas…” e ela faz uma pausa que te deixa sem ar, ansiando pelo que seguirá o mas. “mas o quê?”, você pensa, “mas eu te amo demais? mas eu não sei mostrar que eu te amo tanto? mas o quê?”. “mas acho melhor sermos amigos”, “mas estou apaixonada por outro”, “mas eu era apaixonada por você antes de você ser como é agora. um dia quando você deixar de ser o batman, eu posso me apaixonar por você de novo.”?
só que o mundo sempre vai precisar do batman, sempre vai precisar de um super herói.
e nós sempre precisaremos delas. mesmo que elas sejam cheias de mas e adorem tanto não gostar de nos destruir que só o fato de elas sempre falarem que querem o nosso bem, nos faz sentir verdadeiros filhos da mãe por simplesmente não conseguir aceitar que elas estão certas.
e, no fim, quem nos torna super são elas.

do lado de cá.

março 31, 2008

ela tinha decidido que não o amaria mais. não responderia mais às palavras doces e juras de amor que dissesse. simplesmente porque ela havia decidido aquilo. não daria mais os bons dias que iluminavam os dias mais que o próprio sol – porque com ela, o dia mais feio pareceria lindo só por causa do bom dia que ela dizia. ela disse que havia dado tudo de si naquilo e que a consumiu demais. consumiu demais deixar que a amassem. e agora ela não quer receber mais o amor que há para ela e só para ela. só queria saber como é que se deixa algo tão belo quanto o amor morrer assim, acabar como uma vela que ficou acesa por tempo demais. é até engraçado de se pensar. do lado de cá, amar dói.

ela tinha decidido não o amar. não responderia aos chamados de amor que fazia, nunca. porque o que havia ou não era bom o suficiente ou era bom demais para se responder com amor. e ela poderia até aceitar as cartas e as juras, ouvi-las pacientemente enquanto falava como era amá-la, como era triste e feliz vê-la sorrir e como ela conseguia fazer tudo se iluminar somente pelo fato de estar no mesmo lugar que tudo. e ela faria uma cara de compaixão e talvez até dissesse que entendia – mas não, ela nunca compreenderia tudo aquilo. então ela daria um abraço, um beijo doce na bochecha ou na testa e então diria que há outro ou que ela não está pronta para o amor ou que ela ama alguém que não a ama e tudo parece ser uma mentira. tudo parece soar falso aos ouvidos. do lado de cá, amar dói.

ela havia decidido que o amaria. que lhe daria amor, que faria tudo o que fosse possível para ficarem sempre juntos, na saúde, na doença, como nos velhos votos antiquados e lindos do casamento. dividindo e compartilhando, aquela coisa toda. duas vidas e um destino. frases clichês que mais parecem títulos de novela. até Ela vir e separar. e Ela vem. e Ela separa. do lado de cá, amar dói.

Heartbreaking.

janeiro 25, 2008

você gosta de uma pessoa. essa pessoa parece gostar de você, tanto quanto você dela. então você acha que está tudo indo ótimo. vocês começam um relacionamento, um namoro sério, baseado em confiança e nessas coisas em que se baseiam os namoros.
então, essa pessoa diz: “sabe…eu não gosto mais de você a ponto de querer te namorar. quero apenas o conforto de sua amizade.”
é um verdadeiro choque. você realmente não esperava por aquilo. se tudo estava bom para você, porque não estaria para a outra pessoa? vocês viviam em sintonia, sabiam das coisas um do outro, sempre. por que, então?
você não vai mudar seus sentimentos, você não pode, não consegue. não é algo que você mande de verdade. por mais que se tente. os clichês estão certos: não se manda no coração.
então você tenta esquecer, tenta não pensar nos momentos tão lindos que passaram juntos, mas não consegue.
então você tem a idéia de ir falar com a pessoa, tentar convencê-la a repensar seus sentimentos, mostra como tudo que vocês passaram foi lindo e coisa e tal.
ela aceita. você pensa que foi alguma frescura, medo de alguma coisa, sei lá. então, do nada, essa pessoa pede um tempo. um tempo. você pensa: “poxa…um tempo…tempo é problema.” mas ok, você dá o tempo que ela pediu, o tempo que você acha que ela precisa.
então essa pessoa viaja. vai curtir seu tempo. pensar na vida. se divertir. e você esperando que ela pense em você o tanto que você pensa nela. espera que ela volte bem. que ela volte logo. que ela volte com saudades de quando tudo era do jeito que você gostava, que vocês gostavam.
então ela volta. volta e diz que tudo o que você pensou estava errado, que a coisa não funciona, mas que a culpa é dela. (nesses momentos, a culpa quase nunca é nossa, sempre é deles. e é o único momento em que queremos que a culpa seja nossa, para podermos nos redimir, pedir o perdão, transformar aquela pessoa que está se culpando de tudo em Deus-todo-poderoso e nos jogar dentro do seu paraíso). então, a pessoa diz que fez a incrivel merda de ficar com um alguém qualquer. um alguém que nada siginifica para ambos, que provavelmente nunca verá novamente, que conheceu há poucos dias e que conseguiu arruinar algo que vocês demoraram meses para construir.
e isso tudo é muito ruim, sabe…

Tudo mais.

janeiro 3, 2008

tinha as unhas da cor de terra molhada. mas a terra molhada daquelas avermelhadas, unhas de barro. e ela fazia questão de roê-las. arrancava o esmalte dois dias depois de ter pintado só porque acontecia de esquecer delas. e ela era linda. tinha um sorriso largo, cabelos da cor de cobre, os seus olhos brilhavam negros como o céu numa noite estrelada… ela era tudo o que se podia sonhar em uma mulher. sim, ela era. e você poderia encará-la a noite inteira, poderia admirar sua beleza por dias e dias. era o que eu fazia sempre. mas depois de algum tempo você percebia que por baixo da alegria, dos sorrisos altos, claros, límpidos, havia uma nota de tristeza. uma nota que iniciaria a sinfonia.

e algo que nunca hei de esquecer naquela mulher é de sua beleza única. ela não usava gloss, ou lápis, ou blush, ou batom, ou coisas do tipo. ela tinha o rosto limpo, encarava a vida olho no olho, ao natural. ela sabia que não havia maquiagem que lhe cobrisse a tristeza.

eu nunca esquecerei aquela mulher. nunca esquecerei o dia em que entrei em sua casa pela primeira vez, nunca esquecerei como foi bom amá-la, nunca esquecerei de como seu cabelo cheirava a maracujá e sua pele a canela.

e eu tento, através desse texto, mostrar ao mundo o quanto ela foi importante para mim, o quanto ela me marcou antes de ir, mas acho que minhas palavras nunca são o suficiente. eu sei que nunca chegarei perto de descrever o que ela foi. amor não serve para dizer o que é que sentia, amor é muito comum.

se eu dissesse que ela foi meu mundo, estaria mentindo. Sarah era minha vida, meu universo e tudo mais.

Heartbreaker – a prática

outubro 16, 2007

porque ela é do tipo que no começo te faz pensar que são amigos e que ela está bem com isso. depois ela começa a querer mais que sua amizade. e ela só quer isso porque sabe que você não sabe se pode dar mais que a sua amizade. então ela te faz gostar tanto dela, mas tanto que você começa a se apaixonar e vêm aquelas malditas dúvidas sobre a paixão. se é bom ou se é ruim e você, no começo se sente maravilhado em como ela é uma pessoa maravilhosamente interessante e inteligente, para logo depois de um tempo perceber que nada realmente é aquilo que é. mas ela continua atraente para você e você faz a besteira de dizer a ela o que você sente.
é então que ela começa a revelar o que verdadeiramente é. uma devoradora de homens. ela te engole só pra te esmagar entre os dentes. te cortar, estraçalhar. e você se lembra que no começo ela avisou… ela disse com todas as letras. mas você não queria acreditar e não o fez.
é que ela é do tipo de mulher que te quebra o coração.
e agora é tarde.