Archive for agosto, 2010

sonhos, devaneios e morte.

agosto 19, 2010

uma vez deus falou comigo nos meus sonhos. é sério, não faça essa cara. não, eu não estou maluco. sei que ele falou comigo no meu sonho. sim, eu sei que eu não acredito nele. sim, eu sei, mas o fato de não acreditar nele não anula completamente o fato de ele ter falado comigo no meu sonho. sonhos não precisam ser reais, precisam? a verdade é que deus falou comigo no meu sonho. eu perguntei a ele o que seria de mim, se eu iria pro inferno e ele disse que não, mas eu também não iria para o paraíso. eu não faço muita questão disso, você sabe, então não me preocupei. perguntei sobre minha mãe e ele disse que ela estaria lá no céu. fiquei feliz por ela. acho que seria melhor pra nós dois e pro paraíso não estarmos no mesmo lugar depois da vida. depois desse sonho eu acordei me sentindo um pouco estranho, um pouco traidor de mim mesmo por sonhar com algo como deus falando diretamente comigo. entende o que quero dizer? o pior de tudo é que acordei pensando nisso e isso nunca saiu da minha mente. esse sonho tem mais de cinco anos, já devo estar no inferno agora e minha mãe, se continua no paraíso, certamente é por coisas que ela fez antes desse período. a verdade é que eu me senti tocado por esse sonho maluco. faz tanto tempo, depois dele sonhei com tantas coisas que não me lembro. eu queria que todas as noites eu dormisse e não fosse capaz de lembrar de nenhum dos meus sonhos porque, afinal, quase nunca eles são coisas boas de se recordar. teve outro sonho que tive, faz uns dois anos, em que minha tia não tinha morrido de verdade, ela tinha entrado num estado narcoléptico e depois desses anos todos haviamos descoberto isso e exumado ela, que ainda estava viva. então tentamos todos readaptá-la à vida. lembro de nesse sonho ela me levar pra comprar roupas numa loja em que ela me comprou um presente de natal quando eu tinha sete anos. foi algo muito doloroso porque acordar foi a pior coisa que já fiz depois desse sonho. se eu pudesse eu estaria vivendo nesse sonho ao invés de estar aqui, nessa suposta realidade. esse sonho que tive foi pior que aquele outro de uns sete anos atrás, quando sonhei que tinha um playstation 2, estava jogando feliz e acordei e vi meu playstation velho na penumbra da noite e me senti triste. hoje em dia tenho um playstation 3. queria poder ter minha tia de volta. esses dias eu fui abalado pela morte do meu padrinho, eu percebi que eu realmente nunca mais poderia conversar com ele. então, fui relembrando de muitas das conversas que tivemos ao longo do nosso tempo juntos. ele me conhecia desde que eu tinha oito, nove anos. senti um aperto no peito e uma falta de ar ao pensamento de que nunca mais poderia ligar para ele no dia dezoito de agosto e desejá-lo um feliz aniversário e dizer o quanto o admiro e falar sobre como ele é uma pessoa querida para mim até que ele se emocione e caia em lágrimas do outro lado da linha. nunca mais vou poder dar um abraço nele, apertar sua mão, conversar sobre política, sobre livros, sobre arte e viagens. aprender sobre a vida, o universo e tudo mais. não, ele não morreu há pouco tempo. a verdade é que daqui a três meses fará um ano da morte dele. essa foi a morte mais rápida que consegui assimilar. depois de nove anos foi que consegui assimiliar a morte do meu avô. esse ano eu comecei a escrever um texto que seria dedicado a ele, mas o texto não seguiu. o sentimento é muito maior do que minhas palavras possam descrever. sim, é verdade, ano passado perdi meu outro avô, mas essa morte me foi mais sentida porque minha mãe sentiu do que eu mesmo. nunca fomos muito chegados, creio que nem nos conhecemos, na realidade. mas eu o respeitava, respeitava porque pra aguentar a família, só mesmo com muito álcool e paciência. eu o entendia. olha, esse assunto, é melhor mudar, não é mesmo? estou com fome, sabia? já está um pouco tarde, ou cedo demais, e eu deveria deixar você dormir e ir pra cama, deveriamos fechar os olhos e eu te peço as mais sinceras desculpas por não te deixar pregar os olhos, mas esse desabafo é mais que necessário para mim. preciso me manter bem, preciso falar sobre essas coisas porque se eu ficar parado, se eu começar a pensar, a cabeça fica vazia e mente vazia é a oficina do diabo. as coisas que vêm quando estou só, sem fazer nada, somente a pensar na vida, não são das melhores, entende? preciso desopilar, preciso pensar em qual será o proximo assunto a ser abordado nesse desabafo, em como hoje eu peguei um ônibus e ele fez um caminho diferente, mas tudo bem, eu nunca pego esse ônibus. e como eu sei que foi diferente? o cobrador me explicou que seria, mas ele só seria diferente a partir da parada onde eu desci, então a verdade é que ele não fez nada de diferente até que eu descesse dele. eu fui ver livros hoje, livros sempre me fazem sentir um misto de bem e mal. me fazem sentir bem porque quero todos eles e mal porque sei que jamais serei capaz de tê-los todos e muito menos de lê-los todos. mas isso não me impede de tentar, não é mesmo? sabia que um dos meus planos já foi ter uma livraria? e que um dia queria ser um bibliófilo de verdade? queria que, quando fosse mais velho, as pessoas falassem da minha biblioteca particular com admiração e respeito e veneração pelos livros porque é isso que deveriamos todos ter. sabe, acho que você nunca vai entender isso, mas uma coisa em que acredito, talvez a única coisa em que acredito, é que a gente só tem palavras. parece besteira, parece mentira, parece idiota, mas não é. há muita verdade nisso que estou falando. eu sou tudo isso que eu disse, eu tenho somente isso que disse, assim como você só é o que fala e só tem o que fala. todo o resto são adereços, tudo o mais é fantasia.

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fábio.

agosto 19, 2010

“eu não sei o que você pensa sobre as coisas que têm acontecido com nós dois, mas a verdade é que eu nunca pensei que elas fossem chegar a esse ponto. o que foi que aconteceu pra que parassemos aqui?”

a mulher alta e magra, dos cabelos negros e pele bronzeada, vestindo calça jeans e camisa branca, se dirigia ao carro, onde havia um homem que um dia foi moreno, com um pouco de sobrepeso, sentado no banco do carona. não obteve resposta, mas pareceu não se incomodar. deu alguns passos na direção oposta ao automóvel, olhou para trás e deu um sorriso.

“espero que você saiba que teve todas as chances de evitar tudo isso, mas jogou todas elas fora, querido.”

dentro do carro o homem não se moveu. não podia, suas mãos estavam amarradas, sua cabeça sangrava e o líquido viscoso escorria por sua nuca e descia pelas costas. estava inconsciente havia horas, ela achava que ele poderia jamais acordar da pancada, pelo menos não antes que tudo se concretizasse e seu corpo estivesse queimado e no fundo de um dos rios que cortavam a região.

o carro estava enxarcado de gasolina, o tanque cheio, uma pequena trilha de gasolina foi feita por ela, para poder acender o fogo de uma distância segura, a mesma em que se encontrava agora. riscou um palito de fósforo desses que se ganha de brindes de motéis – motel esse que ela visitou com ele pouco antes de estarem aqui onde estão -, acendeu um cigarro e apagou o palito com uma baforada leve. ainda não estava pronta para assistir ao fim do homem que tanto amou. além do mais, havia a sádica esperança que ele acordasse e se visse amarrado, incapacitado, preso num carro no meio do nada e molhado de gasolina. a verdade é que ela queria ouvir os gritos de dor que ele soltaria enquanto tinha sua pele, seus pêlos, seus órgãos sendo devorados pelas chamas. ela queria que ele sentisse tudo aquilo porque assim se sentiria menos mal por tudo o que já sentiu, assim, acreditava, estariam quites.

enquanto fumava seu cigarro – roubado do porta luvas do carro dele, que ela tinha acabado de molhar com três galões de gasolina – pensou em todo o tempo que os dois passaram juntos e em cada um dos orgasmos que não atingiu, em todas as vezes em que ele montava sobre seu corpo escultural e descia depois de dois minutos, ofegante, cansado, orgásmico, e, egoísta, virava-se pro lado e dormia sem se preocupar com ela por um só segundo. lembrou de cada vez que ele a fez sentir burra por causa dos filmes que ela não assistiu e dos livros que nunca leu e dos quadros e artistas plásticos que ela não conhecia – porque nunca se interessou de verdade por artes plásticas -, por cada um dos pedaços dele mesmo que ele apresentava a ela conforme os dias iam passando. esse quebra cabeça que ele a fazia construir só despertava ódio em seu coração e a cada pedaço que ele liberava para ela, como um presente irritante, a deixava com pensamentos sádicos, imaginando meios para fazê-lo sofrer física e psicologicamente. foi entre uma tragada e outra do cigarro mentolado – ele sempre gostava dessas coisas com sabores artificiais, ela detestava, mas precisava de um tempo para admirar a visão dele amarrado, abandonado no meio do nada, frágil e pronto para receber um fim.

soltou a fumaça quente que vinha de seus pulmões e achou que viu movimentos dentro do carro. olhou atentamente para ele, ainda de longe, confirmou que ele começava a acordar. “graças a deus”, pensou apagando o cigarro na árvore e soltando a baga apagada bem longe do caminho de gasolina que preparou. aproximou-se do homem. ele gritava o nome dela.

“rebeca!”

ela se regojizava com aquilo. ele berrava o nome dela como se fosse a salvação da vida dele, como se tivesse alguma maneira dela voltar atrás e salvá-lo. ela se pôs à janela e sorriu. ele olhou para ela, entre os olhos escorria um filete de suor misturado com gasolina. ela tinha certeza que ele já tinha engolido alguma quantidade do líquido, tinha certeza que ele já havia realizado o que se passava naquele exato momento.

“me tire daqui, rebeca!”

ela riu.

“isso daqui não tem graça, rebeca!”

“claro que tem, fábio. claro que tem. é que você não está vendo tudo isso do meu ponto de vista.” ela deu uma gargalhada de prazer. “engraçado, sabia que hoje você está me dando mais prazer do que em todo o nosso tempo juntos?”

a voz dele começava a soar irritada, raivosa. “olha, rebeca, eu não sei o que você acha que está fazendo, que tipo de brincadeira é essa…”

ela o interrompeu com um grito agudo. sabia que ninguém estaria ali para escutá-la, por isso o fez. ele se calou imediatamente.

“isso não é brincadeira nenhuma” ela começou a explicar rapida e exasperadamente “você realmente acha que eu brincaria com uma coisa séria dessas, fábio? agora pare de gritar, ninguém vai te ouvir. pare de agir como uma criança e aceite o fato que você é um homem, fábio. por menos que você tenha crescido, por mais que o teu pau tenha continuado do tamanho que era aos oito, nove anos, não me importa nada disso, você cresceu e tem que aceitar os fatos da vida: você vai morrer hoje por tudo o que você me fez passar, por todos esses tempos em que você agia como se eu fosse a coisa mais importante para você, quando na verdade tudo o que você queria era me jogar de lado e deitar na cama com a primeira que se dispusesse. agora é a hora de pagar por todas as vezes que você deitou do meu lado e disse que me amava com teu hálito quente e fedido. agora é a hora, fábio, de colher o que plantou, como os maiores clichês do mundo.”

“rebeca, você está louca! você está sendo completamente irracional. pense um pouco sobre o que está fazendo! me amarrar aqui no carro, jogar gasolina em cima de mim e depois o quê? jogar um fósforo em cima de mim e me ver morrer? e tudo isso para quê? não faz nenhum sentido, nada disso. e você sabe!”

rebeca foi se afastando do carro. ela não queria mais ouvir os papos furados que ele tinha, a fala mansa, numa tentativa constante de tentar fazê-la ser racional, como se ela já não fosse racional o suficiente. hoje ela deixaria a emoção dominá-la por completo.

“adeus, fábio. obrigada por hoje.”

ele  gritava, xingava, dizia que ela seria presa, que passaria o resto da vida na prisão, mas ela não ligava. ouviu quando ele começou a se debater dentro do carro, chegou a bater a cabeça no vidro entreaberto do carro, tentou, com a boca, destravar a porta, todas as coisas que fazia, no entanto, eram inúteis. a única coisa que viria agora seria o fogo. rebeca se postou ao lado da árvore onde estava antes, riscou cinco dos fósforos do motel e os soltou na trilha de gasolina que se acendeu iluminando seu rosto e aquecendo-a.

começou a ouvir os gritos e viu a explosão. estava feito e não havia como voltar atrás. agora seu amor sabia um pouco da dor que ela sentiu.

amanhecer.

agosto 17, 2010

eram cinco da manhã e o sol começava a subir preguiçosamente no céu. o lusco fusco da manhã era toda a iluminação do quarto, onde corpos deitados nus pareciam objetos abandonados sobre o colchão desforrado e duro da cama – de madeira, carvalho – que se sustentava sobre quatro pernas grossas e pesadas. lençóis vermelhos e verdes estavam largados no chão, amassados, manchados de fluidos, abandonados ao lado de cinzeiros e bitucas de cigarro e garrafas de vinho vazias. o homem e a mulher que dormem juntos têm seus corpos nus e indefesos, como se tivessem acabado de emergir do útero de suas genitoras, inocentes em seus sonhos. a quem observar, pode parece que todo o potencial para fazer o mal que há nos dois seres é mera especulação, mentira até. eram delicados e frágeis ao ponto de enganar os olhos mais descuidados, as pessoas mais otimistas. os sons que reinavam no aposento eram o completamente humanos: o leve ressonar, o som de ar inflando e esvaziando pulmões cheios de sangue, tendões rangendo ocasionalmente a cada movimento involuntário feito durante o sono, um ou outro gemido leve. a natureza inumana parecia não existir, os pássaros pareciam nunca terem existido, a noite parecia ter calado toda a existência. se compararmos os sons que já ecoaram nessas paredes, o silêncio reina como o faz em poucos lugares do mundo.

posso dizer que descrever o que acontecera na noite anterior não é algo difícil de forma geral, mas entrar em detalhes específicos de determinados assuntos é impossível até mesmo para o mais perfeito descritor – coisa que este limitado e inimaginativo narrador não é. houveram pequenas coisas demais, palavras sussurradas demais, movimentos rápidos e finos completamente imperceptíveis ao olhar humano. no entanto, acima de tudo, pode-se dizer que a noite que antecedeu o atual momento que se observa foi rica em bebida, cigarro, risinhos, gargalhadas, carícias, gemidos e fluidos.

o corpo na cama assumia uma forma estranha, as pernas um tanto abertas – uma delas, a esquerda, estava completamente estirada na cama, com seu lado externo tocando completamente a cama, já seu membro direito se elevava, dobrando o joelho, como se estivesse sentada. tal posição revelava um pouco do sexo que a natureza resolveu esconder entre as pernas. vislumbrava-se os grandes lábios coberto por pequenos e escaços pêlos – ainda crescendo em diversos pontos depois de sua última depilação, provavelmente há cinco dias ou uma semana – e escureciam seu monte púbico. sua pele branca ainda estava avermelhada em determinados pontos do lado de suas coxas e nádegas, seu cabelo negro, assanhado, se espalhava pelo travesseiro e se derramava em alguns pontos da cama. seu corpo tomava o máximo de espaço que conseguia no colchão. seu braço direito se cruzava sobre si e se enfiava sob sua cabeça enquanto o membro esquerdo se estendia rente ao corpo. o lençol desarrumado sobre a cama lhe cobria uma de suas pernas. seu corpo exalava um odor doce e bom. seu corpo ou seu rosto não aparentavam mais de vinte e cinco anos, a idade que tinha.

o corpo pesado afundava no colchão ao lado dela. se encolhendo, procurava atingir o mais perto da posição fetal que lhe era possível. as mãos unidas o faziam parecer se encontrar em algum tipo de posição de prece. os joelhos e pernas unidas e nuas, cheias de pêlos, próximas ao tronco gordo o tornavam simplesmente ridículo. seu membro murcho se escondia entre suas pernas e só se era capaz de vislumbrar um minúsculo pedaço entre um movimento involuntário e outro. sua barriga era marcada pelas dobras que a gordura lhe proporcionou ao longo dos anos, seu rosto era um pouco enrugado e a barba crescia em alguns pontos, revelando uma barbeada mal feita e inúmeras falhas na disposição dos seus pêlos faciais. suas costas tinham arranhões recentes, ainda avermelhados, marcas de unhas da noite anterior. ele cheirava a fumaça de cigarro e álcool, os suores da noite anterior o fizeram cheirar um pouco azedo, seu hálito recende a vômito, apesar de não ter vomitado em nenhum momento.

o sol começava a ficar mais e mais forte, ultrapassando a fina barreira criada pelas cortinas de pano escuro. os raios incidiam diretamente sobre os dois, esquentando suas peles e iluminando seus rostos. ele foi o primeiro a se incomodar com aquilo. moveu-se sobre a cama, procurou esconder seus olhos com os braços, com as mãos, com o travesseiro, mas nada parecia lhe agradar, nenhuma posição lhe era confortável. até que abriu os olhos e a viu ao seu lado. uma visão linda para se começar o dia. as lembranças da noite anterior lhe surgiam à mente conforme seus olhos iam passeando ao longo do corpo que repousava silenciosamente ao lado do seu. um sorriso apareceu nos lábios grossos, revelando dentes amarelados. seu olhar era cheio de ternura. fechou os olhos e, quando os abriu, começou a se movimentar lentamente, se sentando na ponta da cama, evitando qualquer movimento brusco que fosse capaz de acordá-la. sentiu sua cabeça pulsando rápida e dolorosamente, colocou as mãos na testa e, massageando as têmporas, permaneceu nessa posição por alguns minutos.

ela abriu os olhos e o viu sentado com as mãos na cabeça.

“tá pra perder o juízo?” perguntou com um sorriso de bom dia. ela é um dos seres que ele mais admirava no mundo porque conseguia acordar com bom humor e pronta para fazer piadas.

“é, me segurando pra não te estripar.” disse entre dentes, mostrando um sorriso um tanto quanto sinistro e demonstrando que não sabia a hora de fazer piadas pesadas como aquela. ela fechou o rosto e ele foi emendando “desculpa, a verdade é que estou morrendo de dor de cabeça.”

ela levantou da cama, pôs-se atrás dele, abraçou seu tronco por trás e lhe deu um beijo no pescoço. disse baixinho:

“eu tenho remédio para dor de cabeça no banheiro, se quiser eu vou buscar pra você.”

ele balançou a cabeça de leve, olhou pra ela no fundo de seus olhos verdes e disse que não precisava, que não queria nenhum remédio, a dor passaria por ela própria, era só questão de tempo. depois disso, levantou-se, procurou a roupa pelo quarto e encontrou a cueca e a calça debaixo da cama, sua camisa estava perto do banheiro, sacudiu a camisa no ar e a vestiu. sem olhar pra ela, procurou as chaves do carro, que estavam em cima da mesa, ao lado de sua carteira. abriu a carteira, tirou uma nota de cinqüenta, colocou-a embaixo de um jarrinho de mesa.

“olha, acho melhor ir embora agora. a gente se vê depois? deixei aqui o que te devia.”

saiu do quarto deixando-a só. ela só ouviu a porta da sala sendo fechada. acendeu um cigarro e, entre a fumaça exalada, lágrimas escorriam dos seus olhos.