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frio.

junho 30, 2009

“se é por falta de adeus pode ir embora desde já.”

lembro do que senti quando ouvi o primeiro verso da canção. lembro porque até hoje sinto o frio enorme que congela a espinha quando ela começa. porque nada mudou desde a primeira vez até agora. e nenhuma das vezes a sensação foi mais ou menos intensa. ela foi e é simples e completamente verdadeira. e eu me vi escutando aquilo e me senti escorrer pelo chão, evaporar e sumir no ar, me tornar pó, do pior tipo de pó, aquele que jamais segue adiante. pó ao vento que se espalha e nunca se une. e até hoje eu sinto que é impossível se recompor de algo assim.

na época eu também pensei que aquela era a pior coisa a ser ouvida, nada no mundo seria piorque aquilo, a dor e a humilhação jamais se superariam e nenhuma frase jamais conteria tamanho desprezo e tanta inocência maldosa quanto aquela.

obviamente eu estava errado.

hoje em dia eu sei muito bem – bem mais do que gostaria de saber, mas nunca o suficiente para saber demais – que não é bem assim e que há inúmeras coisas piores do que uma simples verdade : as verdades complicadas.