Archive for abril, 2008

à prova de balas.

abril 29, 2008

eu amo a idéia do amor. amo a idéia de amar. só de pensar em amar alguém com todas as forças e acima de tudo já me vem uma forte comoção. amo a idéia de ter alguém em quem pensar todas as horas do dia, todos os dias do mês, cada um dos 31.536.000 segundos do ano. amo a idéia de que escrevo sempre para essa pessoa especial, essa mulher especial que um dia vai dizer que me ama também e, assim, seremos felizes juntos. amo a idéia de ligar amor à felicidade, porque, para mim, elas deviam andar sempre juntas. amo a idéia de insanidade e irresponsabilidade que o amor dá. amo a idéia de que para amar deve-se fazer loucuras e viver loucuras, que antes de ser feliz com o amor, deve-se sofrer por ele, sangrar por ele. amo a idéia de ter idéias sobre o amor e tentar expô-las em textos confusos sobre o que seria o amor e como seria amá-la. amo a idéia dEla. Ela que é tudo e que me deixa cheio de idéias e de amor. ela que me deixa amando cada vez mais idéias e que me faz pensar em cada uma das idéias que já foram pensadas antes mesmo de eu começar a pensar na idéia do amor. amo as idéias que só ela me dá. e ela pode mudar, ela pode ser uma hoje ou uma outra amanhã, desde que me dê idéias sobre como é bom amá-la. desde que ela me dê idéias de como seria receber o amor que ela tem ali guardado, ou a idéia de amor que ela tem ali guardado. amo todas essas idéias que o amor me dá, porque só ele me dá as idéias que me satisfazem.

no fim, talvez eu nunca tenha verdadeiramente amado alguém, mas sempre, sempre amei e amarei idéias.

Sob a luz da lua (Querida, você quer dançar?)

abril 26, 2008

“quer dançar?”
“quero, claro.”
ele levanta da cadeira, vai até sua direção, estende a mão esperando pela dela e dá um sorriso do tipo: “vamos dançar?”
ela sorri meio tímida, olha pros lados, abaixa os olhos, pega a mão estendida e se levanta devagar
andam de mãos dadas em direção ao centro da pista de dança.
“e agora?” ele diz.
“agora você me conduz”
agora ele coloca sua mão na cintura dela e começam a dançar. eles ficam balançando de um lado para o outro. porque música lenta não precisa de nada além disso. nada além de balanços e passinhos.
agora, tudo o que dizem, tudo o que há para ser dito, é dito no ouvido um do outro.

“agora eu vou dizer algo inteligente e engraçado e você vai dar um sorriso daqueles que vêm com um lindo brilho nos olhos.”
passinho pra lá, passinho pra cá. quase no ritmo da música.
ela sorri e mostra os olhos brilhantes.
agora ele elogia seus olhinhos brilhantes e seu sorriso que acabou de fazê-la dar. e diz que parecem olhinhos de noite serena, dois jarrinhos de flor.
e ela adora as referências e elogia seus conhecimentos musicais e depois deita a cabeça no seu ombro e continuam se balançando de um lado para o outro.
e começa everlong acústica.
“essa música é linda demais. hello. i’ve waited here for you…everlong…”
“não, vamos cantar uma que eu sei.”
“come down and waste way with me down with me…”
ela continua deitada, se sentindo uma idiota por não saber cantar com ele.
ele pára de cantar, ignora a música e diz para ela: “é bom estar aqui com você.”

“é bom estar aqui com você também, principalmente pelo fato de eu me sentir mais segura estando com alguém que sabe cantar a música.”
ele sorri.
a música pára no meio. uma moça canta rapidamente sobre uma menina e quadris e sobre colos, rapidamente, e quando a musica volta, é outra
“por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina”
e essa, ela sabe cantar.
“eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens…”
e ele dá um beijo no topo da sua cabeça, logo acima da testa, no cocoruto, talvez até mesmo nuca.
“porque eu gosto de beijos na cabeça.”
e ela fico arrepiada até o último pelo do seu corpo e o chama de bobo, mas morrendo de vergonha.
“contando vil metal…”
“hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude”
“e agora?” ele pergunta baixinho ao seu ouvido “o que fazemos?
e ela, baixinho, quase susurrando.
“não sei, mamãe me ensinou que é o homem quem deve decidir essas coisas.”
e ele sorri. ele realmente solta uma gargalhada.
“eu não sou bom com decisões desse tipo. geralmente eu erro. o que você acha que deve ser feito? porque as músicas lentas já acabaram…”
“eu acho que a gente deve dançar mais e só fazer alguma coisa quando os dois tiverem certeza do que querem fazer.”
então começou jackson 5.
“ABC easy as 1 2 3.”
aí ela pede para ele “me leva pra casa.”
saem da festa.
vão para o estacionamento.
“uhul, gatxénho, você tem um carro.”
e ela ri e, se ele ruborizasse, estaria vermelho agora.
“é da mamãe.” ele diz meio tímido e meio risonho.
e ela tira os sapatos no caminho.
lá, ele abre a porta do carro para ela.

entram no carro.
“a gente não tem som. vamos ter que conversar todo o caminho. espero que você não canse do meu papo até lá.”
“impossível.”
e ela diz que ele deveria comentar algo sobre aquele refrão estranho dos quadris que tocou no meio de sei lá que música.
“hm…e aquele refrão estranho dos quadris que tocou no meio de everlong hein? achei a voz da moça bem bonitinha. parece com a tua.”
“eu achei meio estranha. esganiçada demais. e a moça cantava com uma preguiça. e a música era esquisita também. e você me deixou falando sozinha.”
“é que tem que ficar atento nesses sinais. desculpa.”
ele coloca a mão sobre a mão dela, olha no fundo de seus olhos para pedir desculpas.
ela fico sem saber o que fazer com as mãos, mas segura um dos seus dedos de leve antes de tirar a mão de baixo da dele e sorrir dizendo que tudo bem
ele volta ao trânsito por um momento. dobra uma esquina.
“sabe…estou enrolando…eu não sei onde fica a tua casa. espero que você me diga…”
“bem… você podia ter me dito antes. Afinal, já passa das 3h e minha mãe deve estar me esperando. Mas eu estou gostando tanto de ficar errando pela cidade com você… pode virar à esquerda ali na próxima rua que eu vou te explicando.”
ele vira à direita na proxima esquina.
“uma volta a mais, uma a menos…né verdade? eu gosto da sua companhia e não quero que acabe agora.”
ela ri alto e diz que ele é louco. Depois alerta que é a última volta, porque está mesmo tarde e é perigoso ficar andando por aí a essa hora da madrugada
ele diz que não. diz que a essa hora os ladrões devem estar dormindo.
ela diz que confio nele, mas que tem medo e que está frio, além de tudo.
então, dão a volta pelo quarteirão e chegam no ponto em que ele teria que dobrar à esquerda e dobra.
“explica, então…”
ela aponta uma drogaria e diz pra ele virar à esquerda quando chegar nela. depois, pede para virar à primeira à direita, passar por uma praça e depois parar na quarta casa da rua.
É ali.
ele vira à esquerda na drograria, à primeira direita, passa pela praça e pára na frente da casa. desliga o carro, desce, abre a porta para ela e estende a mão.
ela desce e esquece de pegar os sapatos, dá uns pulinhos que ele acha lindo e ela acha estúpido e diz que está frio.
ele ri. pega os sapatos no carro.
“quer que eu te leve até a porta?”
“os sapatos! Obrigada por lembrar. Quero que me leve até a porta, sim, claro, faço questão da sua compania até o último momento.”
“certo, quer que eu leve acompanhando ou quer que eu carregue até a entrada? o chão está frio. e teu sapato nem tá nos teus pés, tão na tua mão.”
e ele sorri e ri. ri da própria piadinha infame.
ela ri o dobro e diz que seria pedir demais querer ser carregada, mas até que não seria má idéia. depois se surpreende com a sua ousadia e começa a andar devagar, indo na frente enquanto o puxa pela mão.
“sabe…eu adorei esta noite com você…”
eles chegam à porta.
ela pára, fica de frente para ele, pega os sapatos, olha para ele bem nos olhos.
“também adorei, a gente precisa fazer isso mais vezes.”
“precisamos mesmo…”
ele ri, parece que está um pouco nervoso, está desviando um pouco o olhar.
“precisamos mesmo…”
e ele olha fundo nos olhos dela, esperando alguma coisa. um consentimento para qualquer coisa. ou apenas um boa noite.
ela balança a cabeça mordendo os lábios e diz: “então…”
ele dá um passo à frente só para sentir um pouco mais o calor que emana dela antes do boa noite e diz, sorrindo: “então…” um sorriso de “então agora vou repetir o teu então porque não sou bom com essas partes.”
ela dá outro passo, se aproximando, coloca as duas mãos apoiadas nos ombros dele, uma de cada lado, e fica semi-sorrindo.
“eu diria que esse sorriso está dizendo alguma coisa, mas eu não sou muito bom com essas coisas de sinais. mesmo tendo gostado do filme…”
e ele sorri com esse trocadilho broxante. pensa que tudo está perdido. se aproximo e é como aquele cara gordinho de hitch…o que é apaixonado pela loira rica. quando ele sai com ela e ele espera pelo final do encontro quando ele faz aquele beicinho tosco. só que não há o beicinho. ele não faz beicinho. é que a situação parece, não a forma. ele tenta, então, se aproximar mais. e mais. e mais.
ela desliza as duas mãos pelos seus ombros, depois pelo peito e de volta aos ombros.
então acontece o que acontece. o que deveria acontecer nessas situações.
“boa noite.”
“boa noite.”
e ela entra.
e ele vai.
no caminho até o carro pensa em como ele sorriu demais aquela noite toda. e se sente envergonhado por parecer tão nervoso. mas é assim que as coisas são.
liga o carro e vai.
dobra à esquina e a rua fica em silêncio.

Como agir em determinadas horas.

abril 23, 2008

ele segura sacolas nas duas mãos. sente dificuldade em abrir a porta. com a mão com menos sacolas erguida, tenta segurar o frio vidro que é a porta.

então ela vem, do nada, e diz: “espere eu passar para você entrar.”

ele não diz nada. ele coloca a mão num local da porta onde ela possa passar por baixo, como se ele mesmo fosse um arco por onde ela deveria passar. por educação, quase fazendo aquilo significar: “senhora, para o seu conforto e o meu, seria mais prático que eu adentrasse o recinto e segurasse a porta à sua saída. para que ela não bata em ti e não te machuque.”

então ele faz isso. ela passa.

ao passar, não deixa de dizer um “mal educado.” baixinho e rabugento, respondido suavemente com um “vadia velha gorda sebosa.” alto e seco.

super

abril 17, 2008

ela beija você. onde? não importa. na verdade, não precisa nem ser um beijo. pode ser um abraço, um aperto de mão, um sorriso, um olhar. e você sabe que aquilo não é bom. você sente que quando ela abrir a boca será para começar algo bom que vai te destruir. porque elas são especialistas em coisas boas que te destroem. ela respira fundo, pega nas tuas mãos, olha fundo nos olhos – tudo isso depois da aproximação inicial. do beijo, abraço, aperto de mão… – porque o contato visual é importante, mostra a força. mostra que ela veio confiante com tudo aquilo e que não vai sair dali sem deixar claro que ela é quem manda. que ela pode e vai te destruir, mas que ela não faz por mal, faz apenas porque é necessário.”
então ela começa com algo do tipo: “você é uma pessoa excelente” ou “eu te amo” que precede o mas seco e bruto que virá. então ela prossegue: “mas…” e ela faz uma pausa que te deixa sem ar, ansiando pelo que seguirá o mas. “mas o quê?”, você pensa, “mas eu te amo demais? mas eu não sei mostrar que eu te amo tanto? mas o quê?”. “mas acho melhor sermos amigos”, “mas estou apaixonada por outro”, “mas eu era apaixonada por você antes de você ser como é agora. um dia quando você deixar de ser o batman, eu posso me apaixonar por você de novo.”?
só que o mundo sempre vai precisar do batman, sempre vai precisar de um super herói.
e nós sempre precisaremos delas. mesmo que elas sejam cheias de mas e adorem tanto não gostar de nos destruir que só o fato de elas sempre falarem que querem o nosso bem, nos faz sentir verdadeiros filhos da mãe por simplesmente não conseguir aceitar que elas estão certas.
e, no fim, quem nos torna super são elas.

Beth I hear you calling.

abril 14, 2008

ela se esconde nas sombras. mal se notam suas formas. um rosto branco, uma ponta de cigarro incandecente, ela se resume a fogo e sombras. a ponta brilha ainda mais quando ela traga o cigarro fortemente.

fumaça faz formas na luz.

então, ela caminha em direção à luz que ilumina o pedestal. banha-se naquela clareza sem se tornar limpa, pura. libera uma aura de tristeza e solidão que faz corações se contorcerem de compaixão, que faz com que fiquemos apaixonados pelo que ela representa ali, na frente de todos, parecendo ser realmente tudo aquilo, que faz com que sintamos o peso do mundo.

ela segura o ferro frio que faz o pedestal com a mão direita, o cigarro descansa entre o indicador e o dedo médio da mesma mão. aproxima-se suavemente. seus lábios quase tocando o microfone, sobre o qual sua mão esquerda repousa. só há ela e ele no mundo. uma voz rouca. a voz da beleza, a voz da agonia. a voz linda.

“oh…can’t anybody see…”

ontem à noite (que na verdade foi hoje de madrugada)

abril 11, 2008

ontem à noite eu pensei em ligar, escrever uma carta, passar na tua casa. pensei em formas de dizer, de novo, tudo o que foi dito mais de cem vezes, mas não há outras maneiras de dizer o que a gente acha que já é óbvio. eu pensei: “vou pedir a ela pra me dizer um não de vez. porque assim acabo de vez com todas as minhas idéias de criar esperanças de que haja, um dia, um nós dois.”. mas aí eu percebi que eu não agüentaria o não. e se ela não dissesse o não, o sim nunca viria. ficaria sempre nesse imenso talvez. nesse deixa estar. go with the flow, mas nada flui. está tudo estagnado.

ontem à noite eu pensei que fosse capaz de ser forte, de suportar as verdades da vida. mas eu não sou. eu amo demais a idéia de amar você para me desfazer dela assim, só de ouvir você dizer não.

ontem à noite eu peguei no lápis para te escrever. mas aí, eu percebi que não tenho mais nada pra te dizer.

a noite em que precisei de um ar condicionado.

abril 7, 2008

essa foi uma noite quente. eu precisava de um ar condicionado. precisava deitar e poder dormir confortavelmente. precisava parar de lembrar dos meus sonhos, porque isso não me faz bem. não é bom saber que o que se sonhou só fica nos sonhos. não é bom acordar para a realidade triste – ou, em raros casos, menos trágicas que os mais tenebrosos pesadelos.

eu precisava de algo bom para dormir. lá fora o céu estava roxo, amarelando-se aos poucos. e era triste saber que logo logo estaria claro como o dia, porque seria dia. então eu levantei e fui à padaria. dormi. não lembro dos sonhos que tive durante o sono, lembro apenas dos que tive durante o desjejum.

Machucar (ou como repetir tudo sem aprender).

abril 5, 2008

claro, claro. isso tudo vive se repetindo. se repetindo. repetindo. as palavras de 3 anos são quase iguais às de agora. os sentimentos são iguais a esses. as pessoas mudam, mas continuam machucando. porque é isso que elas fazem, é tudo o que todos fazem. tudo foi feito para isso: machucar.

e se tem que ser assim. não imagino de outra maneira, porque não há outras maneiras. pessoas machucam, sentir machuca, amar machuca, odiar machuca, ser indiferente machuca (sim, machuca). viver machuca. e é por isso que vivemos, por isso nos arriscamos tanto na vida (ou nem tanto, com medo de machucar ainda mais).

machuca ficar parado esperando o tempo passar para esquecer alguém. mas nem ensinam as pessoas a esquecer. porque é impossível não lembrar quando se quer esquecer. machuca não ter em quem pensar quando conseguimos esquecer alguém. machuca respirar, machuca pensar, machuca viver.

e sentimos o prazer de cutucar a ferida, de machucar o machucado, de nos expor a mais riscos, de tirar a casquinha que está ali pra ajudar. sem perceber, nos machucamos pelo prazer de machucar, nos machucamos por nos machucar, mas sempre nos machucamos.

mas é isso que tudo faz, é tudo o que todos fazem: machucar.