Archive for agosto, 2007

O assasinato de toda a sinceridade e o fim de um belo relacionamento.

agosto 15, 2007

e eu não sei bem quando começou. talvez sempre estivesse lá. aquela mancha no chão, que cresce e cresce e cresce e no fim vai acabar comendo todo o nosso piso e não haverá mais onde nos sustentar. eu não sei também o porquê. acho que é porque eu me dôo demais nesses ralacionamentos e espero que façam o mesmo por mim, mas nunca fazem.
e depois desses meses juntos eu só quero desejar que deus amaldiçoe todos os dias que vocês passarem juntos! é meu desejo. de coração.

minha vida.

agosto 1, 2007

ela era minha vida.
e, deus, como eu nunca havia percebido antes o quão linda era minha vida?
por que não percebi antes de ter que fazer isso? por que tudo sempre parece claro quando já é tarde demais para se fazer qualquer coisa?
tudo parece mais claro quando se está prestes a ver o último raio de sol. agora, dentro do carro, observo-a indo e vindo pela janela de sua casa. pondo a mesa solitária, esperando que alguém venha para tirá-la dessa vidinha medíocre que ela finge amar tão bem.
a chuva cai fina, como em toda boa cena de um filme noir. eu até consigo me ver em preto e branco caminhando até a porta, batendo e sorrindo para ela. minha pele em um tom acinzentado, meus dentes amarelos ficando branco, meus olhos encontrando os dela que estão brancos com um círculo negro no centro. ela não me reconhece, minha vida não sabe quem sou, não sabe porque vim, não sabe o que farei. minha vida não sabe nada sobre mim. forço minha entrada na casa e meus sapatos deixam marcas de lama no seu tapete. meu sobretudo tem gotas de chuva que cintilam sob a luz branca de sua casa, ela me manda sair, pergunta quem sou e por que estou ali. fico calado, olho-a no fundo dos olhos, admirando-a. ela é tão linda de se admirar. por um momento eu fico triste de pensar que daqui a alguns minutos toda essa beleza esvair-se-á.
ela continua falando e eu continuo mudo. ela diz que vai chama a polícia. eu deixo que ela se aproxime do telefone, caminho até ela que disca rapidamente o 190, beijo-a apaixonadamente. a princípio ela resiste, ela é raivosa, meche-se, tenta escapar, mas se rende. olho-a nos olhos e vejo o medo em suas pupilas dilatadas. e eu sou a última coisa que ela vê.
o tiro sai como um sussurro, talvez um choro: a única lágrima que escapa dos olhos, silenciosa, furtiva, que rouba um soluço de você e some.
deito seu corpo no chão e fico alguns segundos admirando, sugando toda aquela beleza.
saio da casa, entro no carro e vou sem rumo, não há um sentido em tudo isso. as coisas simplesmente têm que ser. sem porquê.
a minha vida está morta.
minha vida acabou.
e eu vou seguindo.