Archive for julho, 2007

Pregador (ou o amor e suas infinitas formas)

julho 18, 2007

“cara…essa mulher é demais.”
“que mulher?”
“a do meu coração.”
“outra paixão?”
“acho que é amor.”
“como assim, acha?”
“hum…não sei definir cara.”
“então você não sabe deifinir o amor?”
“não. e você, sabe?”
“bem, não são palavras minhas. li num livro, eu acho. mas diz muito do que é o sentimento do amor. creio que quando você se sentir assim saberá que realmente está amando. até lá, creio que não seja amor, talvez uma paixão muito forte.”
“então…diz o que você leu.”
“eu li o seguinte: ‘amor é quando você pode bater uma punheta pensando na mulher que você diz amar e não numa loira de uma revista de mulher pelada. quando você faz isso, você SABE que é amor.’ mas…talvez seja um pouco mais que isso, entende? só que eu achei isso bem verdadeiro.”
“é…pensando direito. é verdade. e…”
“o que foi?”
“acho que nunca amei.”

sinceridade é uma arma quente.

julho 14, 2007

“mas você é chato assim com todo mundo ou só comigo?”
“só sou assim com aquelas que eu acho lindas. é meio que uma proteção, um escudo de ironia e sinceridade atrás do qual eu me escondo com a intensão de ferir qualquer uma que tente se aproximar demais. a beleza me intimida demais e eu simplesmente não consigo lidar com isso.”

love is real.

julho 5, 2007

tinha olhos lindos. não só olhos. mas sempre é bom começar com os olhos. dizem que eles são o espelho da alma. que eles falam tudo sem precisar dizer nada e todas as coisas que as pessoas dizem para conseguir deitar umas com as outras. os olhos dela não eram da cor do céu, nem da cor de mel, nem pareciam com o mar, nem tinham a aparência da terra recém molhada. parecia mais com café passando pelo filtro de papel e entrando na garrafa térmica. e era disso que sempre me lembrava ao vê-la parada , ou andando, ou fazendo qualquer coisa que ela estivesse fazendo.
cabelos negros como a noite caiam-lhe sobre os ombros e de lá não passavam. alguns cobriam sua visão.
e depois dos olhos, do que posso falar? sua boca? seu rosto marcado em alguns cantos por algumas espinhas? não há muito o que falar sobre sua boca. porque tudo o que eu queria, por meses a fio, era apenas saborer seus lábios, mordê-los, sugá-los, bem como faria com sua língua rosada e suculenta, mesmo às vezes cheirando à comida apodrecendo, porque é assim que a boca de todos cheira.
e depois eu poderia listar todo o seu corpo. suas pernas grossas, mas nem um pouco torneadas, seus seios grandes e um pouco caídos, seus glúteos nem tão abundantes assim e com aquelas celulites que toda mulher tanto odeia. em suas ancas, algumas estrias. em sua barriga a comida sendo digerida, em suas tripas, a merda sendo feita. em sua bexiga a urina se acumulando. em seu coração não há homem nenhum. há apenas sangue sendo bombeado. ela tem fluidos, mucos, ossos ali dentro, assim como eu. e ela é a perfeição disfarçada de mulher.
e eu amo essa mulher.