Archive for janeiro, 2007

Breve estudo sobre o coração

janeiro 26, 2007

“O que você traz consigo? O que é isto que seguras em tua mão?”
“Veja com teus olhos.”
“U-u-um coração?”
“Sim.”
“D-d-de quem?Por que carregas um coração?”
“Analise-o.”
“Bem, é um coração humano.”
“Quanto a isso, não resta dúvidas, não poderia ser mais óbvio.Veja além.Em que estado ele se encontra?”
“Morto.”
“Claramente. Vá mais além…”
“Não sei. É um coração de uma criança, pelo seu tamanho deduzo isso.”
“Errado.É um órgão adulto.”
“Então ele se contraiu de alguma forma, como se estivesse se dobrando à dor.”
“De fato.”
“E pela coloração excessivamente avermelhada, diria que é um coração apaixonado.”
“Sim, não me resta dúvidas, mas quero que veja além, olhe para dentro dele. O que você vê?”
“Dentro dele…Eu vejo…Oh D-D-Deus! Sou eu!”

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Vício

janeiro 22, 2007

“mulher é o vício que eu não largo, mas que faz mal que nem cigarro.”
“mas em raras ocasiões elas nos fazem bem.raras e efêmeras ocasiões…”
“não é que façam bem…veja só, meu caro, o cigarro dá prazer ao fumante.”

Só eles.

janeiro 21, 2007

saber que nada sei não adiantou em nada. a ignorância só será uma benção se você for extremamente ignorante, alheio ao mundo, autista. só os autistas são felizes.

A voz das flores

janeiro 11, 2007

uma voz macia…suave, que acalenta. uma voz que normalmente diria: não fica assim, segura a minha mão e vem comigo. aquela que você colocaria no seu despertador para todo dia acordar bem.e você pode quase tocar a beleza de sua voz, humana e divina, e você se sente triste de imaginar quem um dia aquela voz há de se calar, um imenso pesar, na verdade, sente pena da humanidade que não poderá ouví-la, e você vai sentir falta de quando ela chamava seu nome de um jeito que só ela sabia chamar…algo incrívelmente dela, único. e não importa se seu nome fosse o mais ridículo do mundo, o mais feio, ela o dizia com uma entonação, uma maneria que o deixaria belo.
e só de olhar sua foto, posso ouvi-la, sorrindo, e não há risada mais pura e linda que a dela, e quando ela te olha com seus olhos azuis no fundo dos teus e diz que quer estar ali, daquele jeito juntos, para todo o sempre, você só pode derreter ou morrer.

Especial

janeiro 10, 2007

“então. acho você especial.”
“especial, eu? ah, que é isso…”
“especial, no sentido de especial mesmo, nada daqueles eufemismos para designar os retardados e aleijados.”
“hum…sei…obrigada, eu acho.”
“é…’cê tem que agradecer mesmo por eu te amar tanto assim. aproveite porque ninguém amis vai te dar esse amor meio doentio que eu tenho.”
“sei…”
“bom mesmo que você saiba porque, porra, você é a mulher mais cabeça que eu já conheci. e olha que eu já conheci muita mulher inteligente, mas você não é umas delas. quer dizer, você é inteligente, é claro…”
“obrigada”
“de nada, …mas é que você é superior a elas, entende do que eu falo?”
“não.”
“bem, deixa ver…com você não é sexo. com elas é.”
“como?”
“quero dizer…claro que com você é sexo, você é super sexy, mas com você não é SÓ sexo, há também o papo…suas idéias, elas me prendem como mosca na teia e eu fico ali, preso, esperando só você dar o bote e acabar com tudo só com suas idéias, uma discussão com você é quase sexo com uma viuva negra.”
“e isso quer dizer o que, exatamente?”
“que você é maravilhosa!”
“sei…jeito meio estranho de você expor isso tudo.”
“estranho por quê? eu te amo. não importa se estamos aqui ou ali.”
“eu sei, mas eu digo…a forma como você fala…”
“é…eu sei…eu gosto de deixar tudo claro, pelo menos para mim. eu estou entendo tudo o que estou dizendo, você não?”
“boa parte…”
“o que você não entende?”
“como é que você sabe onde eu moro?”

Srta. F.

janeiro 5, 2007

o olho esquerdo dela, está mais aberto que o direito, e eles dão a impressão de que ela é um pouco estrábica, deixando-a mais charmosa. o brilho, em seus olhos, também varia de um para outro pela luminosidade. seus cabelos sobre a testa parecem organizados, mesmo estando assanhados, sua sobrancelha falha, que na verdade deixa-a ainda mais bela, ajudando o quadro a ficar mais humano, ou seria uma mera reprodução das deusas gregas antigamente adorados…
e o rubor de suas bochechas, ah, suas bochechas, as mais perfeitas, mais redondas, emolduram seu rosto, salientam o mundo e faz-te perceber o quão incrivelmente belas podem ser as bochechas, marcadas nos cantos de seus lábios pois lá se esconde um sorriso tímido, um pré-sorriso-tímido por sobre sua mão de anéis e unhas vermelhas como o sangue que talvez não corra em suas veias por não merecerem. ela é uma humana feita de ar, de sonhos e desejos, nada de carne e osso para ela, seria ordinário demais e ela não nasceu para ser comum.
o cabelo ondulado/liso cai sobre seus ombros de um jeito que só esse momento soube captar com tal intensidade. e o sorriso que não acontece ainda fascina, instiga mais que o de mona lisa.e eu poderia me ver em seus olhos, mesmo não estando lá para olhá-la no momento certo, mas sim, eu estou refletido em seus olhos.
ela é o primeiro raio de sol derrretendo a neve depois de um inverno de escuridão e gelo.e nela vê-se aquilo que não há em todo o resto do mundo. ao olhá-la você pode voltar a acreditar na pureza, na inocência, na paz. é isso que ela representa, é isso que ela é.
ela é a paz que eu preciso para viver.
uma obra divina, de fato.

o 1º dia do ano.

janeiro 1, 2007

o primeiro dia do ano é apenas mais um depois de trezentos e sessenta e cinco dias, ou trezentos e sessenta e seis. mas sempre há uma mágica, um mistério cercando esse primeiro de janeiro. uma bobagem, uma superstição, uma bobeira, mas que sempre há, em várias culturas. é uma festa, um dia pela paz, um dia pela paz. UM DIA PELA PAZ. apenas um, entendem, não mais que um, afinal de contas, um dia para a paz é o suficiente, não é mesmo?
o primeiro dia do ano é considerado um dia para rever seus conceitos, para começar dietas, para resolver fazer exercícios, para mudar sua vida, pensar melhor, arrumar uma mulher, arrumar um emprego, uma vaga na faculdade, qualquer um desses supérfluos, é um dia para passar com a família, conversando, ouvindo, é um dia para desejar feliz ano novo para todo mundo. é um dia como qualquer outro porque amanhã todo mundo vai esquecer dele.
esquecer que é um novo ano, porque a novidade toda já faz mais de vinte e quatro horas.
dia primeiro de janeiro, faltam 2 minutos para as 21 horas e eu tento ligar para a pizzaria, ams está ocupada.
acho que hoje eu vou passar fome.