Archive for julho, 2006

Chão de Giz

julho 31, 2006

Deitou-se no chão.
E o corpo sentia todo o frio que o chão transmitia, como se fosse uma pedra de gelo queimando o corpo que sobre ele jazia.
Deitou-se no chão como se fosse sua cama.
Ficou ali, no chão que lhe deu tudo o que tem, sua comida, seu dinheiro, seu sustento, sua bebida, seu ar, seu amor, o sentido de sua vida, e que agora lhe dava os sonhos mais que desejados, o sono merecido.Ficou de olhos fechados e abriu os ouvidos, começando a ouvir a respiração do chão e seus batimentos cardíacos, pulsando, emanando, jorrando vida para fora, transmitindo energia através de seu toque revigorante.
Abriu os olhos e a escuridão comeu seus olhos,devorou-os como bestas devoram crianças no jantar.Tal ferocidade nunca antes fora sentida por olhos tão castos. Suaíris relaxou, sua pupila dilatou, procurando desesperadamente por uma fina gota de luz para acariciar-lhe as lentes e tranquiliza-lo, afastando dele o medo de tudo que agora dominava sua mente como o escuro calava o aposento.
Fechou os olhos novamente, tentou se esquecer do que o cercava, mas simplesmente não conseguia.Levantou-se tateou na escuridão sólida como a parede pela própria parede, fui até ela, acendeu a luz e foi dormir.Em paz consigo, em paz com Deus.

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We’ll Never End

julho 27, 2006

E o que aconteceu foi mágico.
Saiu voando do meu peito, pairou no ar.Ficou ali por tempo suficiente para se fazer entendido e então sumiu numa explosão que sugou todos os pensamentos que, amedrontados, só voltaram alguns minutos de silêncio depois.Estavam tímidos, olhavam para o mundo como se estivessem presos em jaulas, tratados como animais selvagens.E talvez o fossem.Selvagens demais para serem contidos por jaulas, então escaparam, fugiram acuados.
Eram apenas filhotes.

68

julho 20, 2006

Ele veio do outro lado do aposento e jogou as duas doses direto no meu copo com gelo, do jeito que eu pedi.
– Muito bem, meu rapaz, agora me trás daquela cebola em conserva.
– Tá OK!
Eu sempre gostei daqui.Tem um clima bem familiar, o pessoal sentado na mesa em frente à minha, duas mulheres, uma loira e uma ruiva, ambas artificiais e um cara.O cara é casado com uma delas, que é irmã da outra.Ele é casado com a loira parece, mas tá comendo a ruiva e todo mundo sabe. Menos a loira, que mesmo se souber não parece se importar muito porque ela estava dando para outro cara, um negão, agora há pouco ali nos fundos. O negão também é conhecido, o nome dele é Vágner,quase 2 metros de altura, forte.Eu sempre jogo uma bolinha com ele aos domingos, grande zagueiro, com o perdão do trocadilho. Ele é casado com a minha vizinha, logo, ele é meu vizinho, ao menos seria se eu não passasse mais tempo no bar do que em casa.Tomo um gole do líquido amarelado, apenas para molhar o bico.
Aquela garçonete ali no balcão é a Carla, a maior ninfeta por aqui.Habita mais o sonho dos homens do que a Cléo Pires, e também é mais gostosa, mais natural. Carla é a filha do Seu Pasquim, um senhor dono de uma sapataria.A esposa morreu cinco anos depois que Carla, a filha única nasceu(a falecida tinha fama pelo bairro e dizem as más línguas que Carla é tão filha dele quanto o Flamengo campeão da Copa do Mundo).Essa menina, vi-a nascer, crescer, e agora virou esse mulherão.Meu Deus, obrigado pelo viagra!Graças a ele Você me deu a oportunidade de comer essa beldade e eu, que não sou nenhum idiota, aproveitei.Não vou contar detalhes, mas digamos que duas doses do 18 anos e ela estava “no ponto”.
Eu sou um cara respeitado por aqui, não tenho inimigos e todos me conhecem como Dr.Cleiton, apesar de não ser esse meu nome e de ter me aposentado há um bom tempo e desde então nunca mais ter pisado num hospital.Qualquer desavença pelo local mandam me procurar, eu tento evitar essas coisas, digo que estamos no interior,mas que não era para parecerem matutos e reportar as coisas direto na polícia.Geralmente eles não me ouvem, mas não custa nada repetir.
Conheci Joana quando ela passou pela cidade num carro esporte.Um daqueles de passeio que, na propaganda, escala até o Everest.Ela era a mulher mais linda que eu já vi na vida.Seus olhos cor de mel, sua pele dourada e pálida, seu cabelo castanho que escorria pelos seus ombros e cobriam seus seios enquanto ela brincava com as pontas duplas.Usava uma calça jeans, que ressaltava sua não abundância de quadris, compensado por sua cintura fina, e uma blusa que colava em seu corpo e faz perceber sua barriguinha perfeita. Seu olhar forte cruzou com o meu, encaramo-nos por pouco mais de 1 segundo, mas foi o suficiente para que ela domasse meu coração (não mais)indomável.Ela ajeitou o cabelo e então vi as mais belas orelhas que já havia visto em toda a minha vida! Que lindas orelhas, aquela mulher era perfeita, e não havia nenhum anel em seus dedos.
Aproximei-me.
– Olá!
– Olá…
– Passando pela cidade, ou veio para ficar?
– Só de passagem…
– Indo para onde?
– Para a capital.
– Mora por lá?
– É.
– Já morei por lá…
– Ah é?
– É.
– Que bom.
– Precisando de alguma coisa pode pedir. Chamam-me Dr.Cleiton.
– Joana.
– Quem sabe a gente não podia sair para jantar hoje a noite hein Joana?Está com pressa para voltar para casa?
– Não, estou com pressa.Obrigada.
– Olha só, pense duas vezes, sou um excelente cozinheiro.
– Ah é?
– É.
– Que bom.
– Certo, vejo que você realmente não quer provar minhas maravilhas gastronômicas.
Fui me afastando.
– Espere!
Virei-me com cara de cão pidão.
– Acho que posso ficar um pouco por aqui.
– Ótimo.O que você quer para o jantar?
– Surpreenda-me.
Mandei que ficasse me esperando às 18:30 na Igreja da cidade. Ela esperou.Jantamos, conversamos, nos divertimos então eu disse a ela tudo o que senti quando a vi. Acho que ela não esperava nada daquilo vindo de um desconhecdio, ainda mais qunado se tratava de um velho.Ela estava na flor da idade, 28 anos recém completados, e eu já estava no murchar da minha, 68. Ela disse que queria pensar um pouco. Dei-lhe todo o tempo que quisesse, desde que voltasse aqui na cidade para mais jantares daquele.A cidade não era longe da capital e ela disse ter gostado da minha comida. Não custava nada visitar um amigo, ainda mais quando o amigo é apaixonado por ela.Ela vinha sempre, até que um dia resolveu ficar.Larguei o amor pelo bar, arrumei-me, voltei a ser gente.Para que tudo isso, se meses depois, numa visita rápida a seus parentes na cidade ela morreu?
Joana só fez estragar minha vida.Por isso hoje estou aqui, observando a vida ao redor, fazendo o que posso e tantando fazer o que não posso.Por causa de Joana. De Mim e de Joana.
– Mais duas doses!

FIM DOS TEMPOS

julho 15, 2006

Está chuvendo martelos. Aqui dentro eu sinto que, mesmo se eu fosse lá fora tomar um banho dessa chuva pesada, minha cabeça doeria ainda menos do que dói no seco. A música passa rapidamente. O tempo todo corre, não há tempo para se pensar no tempo porque quando se vê o tempo passou e você perdeu sua passagem.Parecia-me que há pouco tempo o tempo tinha menos pressa de se passar.Seria esse o sinal do seu fim? O fim dos tempos…engraçado, o fim do tempo de cada um vem e o tempo não pára pois ainda há muitos para parar.É tudo tão confuso para mim, essa história de tempo, sabe? Acho que ninguém nunca vai se acostumar com o tempo.
E nem com a solidão. Mas as vezes ela é tão necessária quanto a passagem do tempo. A vida foi feita para mera diversão divina, para que Ele se divertisse com o tempo livre, que para Ele é todo o tempo que Ele criou. O tempo, então, só cumpriu sua função, passar.Ao tempo entre uma passada e outra deu-se o nome de vida.A vida deveria ser vivida socialmente, um conjunto de vidas vivendo para algo melhor. Mas há solidão, há e ela está pronta para agarrar todas as vidas pela cintura e não largar.
Ao último tempo da vida, chamamos morte. A morte é, de fato, um momento de solidão.Na verdade esse deveria ser o único momento de solidão na vida, mas muitos, tristemente passam a vida tendo que conviver com a solidão, tentando aceitá-la. Eu mesmo já estou tentando me acostumar ao fato da solidão. Mas eu não consigo, por isso tenho amigos. Amo-os, nunca neguei. Preciso deles sempre, ou ao menos até o último tempo da minha vida. Saibam que vocês, amigos, podem contar comigo até o último tempo de vocês.
Falemos então de coisas boas, esse texto foi escrito com uma única finalidade, atualizar o blog para que o Jorge(Xoxão) tenha blogs para ler.

20-1-20-9

julho 6, 2006

Como poderia eu coloca-la aqui, neste papel, sem ser 100% infiel à realidade?Mesmo me esforçando ao máximo para não ser eu ainda seria.Mas ela tem tantos defeitos…defeitos que me apaixonam mais e mais a cada dia.A única coisa que faz me morder de ciúmes é tudo que a rodeia que não seja eu.
Eu a amo e ela…Ela deve amar todo o mundo exceto eu. Quando ela olha nos meus olhos, ela não me encara por mais de 5 segundos, acho que ela tem medo de mim. Eu teria medo de mim.Eu sou o ogro e ela é a princesa.Ela é a bela e eu a fera.Ela é a dona do meu coração e eu…eu sou o prisioneiro do amor que sinto por ela.
Se não é esse medo…seria medo de que então?Será que ela tem vergonha de me olhar?Por que ela teria?Haveria então sentimentos nela?
Por que não pode ser assim?
Por que seria? Por que ela sentiria algo por mim, que sou assim tão sem mágica.Será que ela sente algo por mim?
Cabe a a mim descobrir tudo isso? As vezes acharia melhor se fossemos todos transparentes nos sentimentos…queria que quando ela me olhasse, me lesse.Visse tudo o que eu sinto por ela.Seria muito mais fácil para mim.Mas eu acho que ela já me leu,acho que quando ela me olha ela vê novamente que eu a amo e se sente culpada por não me amar do mesmo jeito que eu, na mesma intensidade.
É preciso simplicidade para fazer o amor florescer. Não deixar que a força do medo que tenho me impeça de ver o que tanto anseio.
É preciso mais do que vontade para fazer tudo isso, é preciso que meu amor se supere e alcance o divino.Ela é a deusa, eu o mortal. O amor por ela é imenso e por mim é despresível.Somos ligados por uma singela linha, que pode muito bem ser cortada e é isso que eu temo…que algo afiado se aproxime de nossa linha do amor e a corte, que me prive do amor que preciso.Tenho medo de que eu mesmo corte o meu amor que me liga a ti.E a cada dia que passo acho que você testa a resistência dessa linha puxando-a, forçando-a, testando a força do meu amor.
“Mas pra que chorar, pra que sofrer se há sempre um novo amor em cada novo amanhecer?”
Mas o meu novo amor aparece todo dia, o problema é que é sempre ela.E eu sempre a amo por um novo motivo. É uma renovação do que é antigo, e ela nunca cansa de se renovar, de mostrar seus encantos.
A cada dia que renasce fica mais forte, como a fênix que adquire experiência.Meu amor nasce do fogo que mata e destrói.Meu amor é único e só há uma razão para que seja.Você, dona T.

(Texto por Pedro Víctor, Diogo e uma certa ajudinha de Vinícius de Moraes[valeu Vini :P])