Archive for abril, 2006

Música de Ballet

abril 26, 2006

Mais uma puta no meu caminho, não sei se choro, não sei se rio.As gargalhadas a reduzem a nada.Bem, o que mais ela seria? Seu corpo inerte na cama molhada, todos os fluidos misturados.Isso tudo é até engraçado.
Ela tem olhos verdes, uma pele branca marfim que me excita.Uma boca que me leva ao delírio quando a usa e um belo nariz afilado que puxava suavemente o ar para dentro de si, pois agora ela dormia.A seção foi cansativa.Todas as vezes conversamos um pouco, ela sempre é o que eu preciso que ela seja, dessa vez eu pedi para que ela fosse ela.Ela disse que não iria cobrar.Mas que puta é essa que não cobra?Talvez ela nem seja uma puta de verdade, talvez ela só faça isso para sobreviver.Isso me excita.Ela me excita ainda mais.Eu gosto de saber que ela precisa do dinheiro que eu a entrego a cada seção.Eu gosto de saber dos outros clientes, o que eles fazem, o que eles gostam, mas o mais esquisito de tudo é que eu me importo com ela.Eu sempre pergunto se ela está bem e se ela está disposta a fazer aquilo.Mas putas não têm direitos!Putas fazem o que são mandadas.Ela é minha puta, sempre fez tudo.Mas hoje ela se emancipou.Ela disse que faria por prazer, disse que gostava de mim,que eu era amigo,que ela me daria um presente (na verdade ela deus três…).Eu não acredito em putas!Ninguém devia acreditar!Enquanto ela dorme sobre os fluidos eu me visto.O dinheiro está debaixo do cinzeiro, onde sempre deixei.O dinheiro sempre esteve ali.
Saio do quarto.Essa puta já era.Que pena, ela me excitava.

Sobre o que, afinal?

abril 21, 2006

Não é sobre amor.Não é sobre ódio.Não é sobre eu.Não é sobre você.Não é sobre solidão.Não é sobre medo.Não é sobre drogas.Não é sobre sexo.Não é sobre música.Não é sobre almas.Não é sobre livros.Não é sobre fantasias.Não é sobre a lua.Não é sobre o sol.Não é sobre a luz.Não é sobre as trevas.Não é sobre Deus.Não é sobre o Diabo.Não é sobre sonhos.Não é sobre desejo.Não é sobre carros.Não é sobre enfermidades.Não é sobre inteligência.Não é sobre capacidade.Não é sobre físico.Não é sobre loucura.Não é sobre mãos.Não é sobre olhos.Não é sobre anotações.Não é sobre memórias.Não é sobre amigos.Não é sobre família.Não é sobre pessoas.Não é sobre filmes.Não é sobre notícias.Não é sobre isso.Não é sobre aquilo.Não é sobre auto-controle.Não é sobre confiança.Não é sobre tudo.Não é sobre NADA.É sobre Eu.É sobre você.É sobre nós.
Afinal, era sobre amor o tempo todo…

Natasha

abril 14, 2006

“Dê-me tua mão!”
Estava de olhos fechados quando senti a mão delicada e macia, mas firme e confiável.
“Vamos!”
“Para onde?”
“Você verá.”
E me puxou sem nem ao menos deixar-me ver quem era.Me guiou por lugares escuros,onde pude ver que estava só.Mas eu não estava só.Eu sentia sua mão.O medo me tomou, tudo foi mais rápido, fui guiado em direção à luz.Que luz fantástica!Olá luz, qual é tua cor?És bela e chiras tão bem,luz.Me abrace,luz, agarra-me entre tuas ondas.
Caí na luz.Mas eu não caí.A mão me segurava no espaço e então eu flutuei como se fosse mais leve que o ar.Não via quem me puxava.Podia ser outra, podia querer logo me soltar.Segurei forte.
“Não vou te abandonar.”
Era a mesma.Sentia as ondas coloridas batendo forte contra meu corpo e mi milhares de rostos nelas.Em cada crista tinha alguém falando alto, berrando palavras inintendíveis.Era ensurdecedor, um pesadelo, eu preferia cair.Olhei para baixo, larguei a mão,mas ela me segurou.
“Logo passa.”
Tentei olhara para cima,mas a luz me cegava.Onde estava?
A luz sumiu.Ouvi os sons me abandonando, já devem ter se divertido o bastante às minhas custas.Fechei os olhos.Ouvi, então, o silêncio.
“Olhe!”
Uma força me obrigou a abrir os olhos,mas percebi que eu abri por vontade própria.Estava eu hipnotizado pela voz?O que era ela?Um anjo?Quem era?
“Quem…”
“Sh…”
“Mas…”
“Olhe!”
Olhei e vi.Vi que estava num jardim.Era lá.Era lá!Ajoelhei.Olhei para a mão que me soltou.Finalmente pude ver seu rosto e ,em meio às minhas lágrimas, pude ver seu sorriso.E de cada lágrima que saía dos meus olhos beijavam o chão fazendo brotar uma pequena tsvyetok.

tsvyetok = flor(em russo)

Sejamos…

abril 8, 2006

E os sonhos nos quais eu morro ainda são os meus melhores…
Nem quando estou na teia leve, que me carrega voando através do imenso céu negro do pensamento, eu me sinto bem. Quem devia me consolar parece querer me colocar mais para baixo, parece estar numa batalha para me derrotar.Eu quero me derrotar.Ser o perdedor da eterna batalha de mim contra eu.Mas seria possível que até mesmo nos sonhos você não me pertença?que até naquilo que é meu por natureza, que foi me dado para me consolar e aliviar, o meu ópio,não mais faça efeito e agora está a me jogar numa teia pegajosa que faz com que eu pareça estar pisoteado, ou talvez recém vomitado?
Os meus sentidos não mais me enganam quando sumo, meus ouvidos não mais ouvem tua bela voz me chamando, nem meus olhos te avistam a alisar teus cabelos à minha espera, nem sinto teu toque suave em minha face, nem teus beijos molhados em minha boca.O que vejo agora é um punho fechado vindo em minha direção.O que sinto agora é o punho duro da realidade batendo forte na minha face, fazendo meu sangue jorrar.E ele jorra tão feio, seria mais perfeito se fosse com você, meu sangue com você jorraria como cataratas, eu seria o cavaleiro de pégaso sangrando todos os litros de sangue que há em meu corpo apenas para te proteger, mas eu sangro tão feio.Eu sangro tão pouco.Tenho vergonha de dizer que te amo, porque não sou digno de te amar, não sou.Minha boca sente o gosto de ferro,a realidade machuca tanto, quero sonhar de novo.Quero sonhar com você sem ele, comigo e com você apenas.
Meu sangue jorra feio e encosta em tua boca, tua boca doce, lindamente desenhada…Me desculpe por ser tão imperfeito, já estou te enchendo com tudo isso?É apenas para dizer que sou tão feio.És tão bela.
Jorro feio por você não estar comigo.Esteja comigo, sejamos.