ela tinha decidido que não o amaria mais. não responderia mais às palavras doces e juras de amor que dissesse. simplesmente porque ela havia decidido aquilo. não daria mais os bons dias que iluminavam os dias mais que o próprio sol – porque com ela, o dia mais feio pareceria lindo só por causa do bom dia que ela dizia. ela disse que havia dado tudo de si naquilo e que a consumiu demais. consumiu demais deixar que a amassem. e agora ela não quer receber mais o amor que há para ela e só para ela. só queria saber como é que se deixa algo tão belo quanto o amor morrer assim, acabar como uma vela que ficou acesa por tempo demais. é até engraçado de se pensar. do lado de cá, amar dói.
ela tinha decidido não o amar. não responderia aos chamados de amor que fazia, nunca. porque o que havia ou não era bom o suficiente ou era bom demais para se responder com amor. e ela poderia até aceitar as cartas e as juras, ouvi-las pacientemente enquanto falava como era amá-la, como era triste e feliz vê-la sorrir e como ela conseguia fazer tudo se iluminar somente pelo fato de estar no mesmo lugar que tudo. e ela faria uma cara de compaixão e talvez até dissesse que entendia – mas não, ela nunca compreenderia tudo aquilo. então ela daria um abraço, um beijo doce na bochecha ou na testa e então diria que há outro ou que ela não está pronta para o amor ou que ela ama alguém que não a ama e tudo parece ser uma mentira. tudo parece soar falso aos ouvidos. do lado de cá, amar dói.
ela havia decidido que o amaria. que lhe daria amor, que faria tudo o que fosse possível para ficarem sempre juntos, na saúde, na doença, como nos velhos votos antiquados e lindos do casamento. dividindo e compartilhando, aquela coisa toda. duas vidas e um destino. frases clichês que mais parecem títulos de novela. até Ela vir e separar. e Ela vem. e Ela separa. do lado de cá, amar dói.
